Neste mês de julho, dia 14, completaram-se exatos quarenta e dois anos que deixei a Terra Branca, sentindo na fumaça do F-600 que cortava a Rondon a nostalgia do futuro, pois nessa mesma época larguei os ensaios da fanfarra do Ernesto Monte e não participei na Duque de Caxias do desfile do aniversário de Bauru: foi o primeiro laço rompido. No ano seguinte, o avô Silva “gordo” mudou de esfera, rompendo mais das cordas que me ligavam a Bauru.
Anos e anos passam, desligam-se da Terra a tia Dirce, o tio Miguel “maestro” Ruiz, meu pai Gastão, os tios Nico e Lincoln “o professor” e, bem recentemente, o primo Beto... e mais finos ainda ficaram meus laços com a cidade...
Em fevereiro passado, levando minha mãe a tiracolo, estive em Bauru: nossa casa, na 19-36 da Gustavo Maciel (que nos meus olhos de moleque tinha cem metros de largura), agora é prédio comercial; o terreno em frente, onde o “vô” Silva teve algum comércio, virou casa, o estádio do B.A.C. há muito tempo “já era”, a Avenida das Mangueiras com suas enormes voçorocas virou bairro “chic”, o trânsito ficou pesado e todos fecham suas casas com várias trancas...
Há três semanas minha mãe, aos 84 anos, partiu sem agonia, sem hospitais, sem injeções, sem enfermeiras, rapidamente e em paz, feliz por ter visitado Bauru ainda uma vez mais e alegre por rever a terra que a recebeu tão bem há mais de cinqüenta anos.
E eu? Fiquei triste duas vezes, uma por ficar sem a mãe e outra por ver esgarçarem-se, desta vez quase ao limite, as cordas que me ligam ao meu tempo de Bauru!
Fernando Marchini