Depois de 20 dias fora do País, a dançarina Mariana de Oliveira, integrante do Grupo Folclórico Nuriah de Bauru, retorna para a cidade, com certeza, com a “bagagem” mais pesada. Mais conhecida como Jade Suhaila, a bauruense saiu vitoriosa do Festival CIAD Atenas de Dança, realizado este mês na Grécia, com a conquista do primeiro lugar na modalidade dança do ventre estilo tribal americano.
Em companhia da professora Márcia Nuriah, Jade ainda participou do Congresso Mundial de Danças da Unesco, realizado de 2 a 6 de julho também em Atenas. Elas apresentaram workshops e shows na cidade de Den Haag, na Holanda.
Além da categoria vencida pela bauruense, a 23.ª edição do festival reuniu participantes de mais de 50 países praticantes de outras modalidades da dança do ventre, como a clássica e a folclórica, dançarinos de balé clássico e tango.
Segundo Jade, que subiu no palco sem coreografia estabelecida para disputa do prêmio, a emoção foi o ingrediente decisivo para a vitória. “Durante as apresentações, um dos que seriam jurados me elogiou mas disse, porém, que o que faltava na minha dança era ter mais emoção. Então, decidi arriscar e não preparei coreografia para o dia da disputa. Me concentrei e me deixei levar pela música. Pelo jeito, deu certo”, conta.
Mais do que pela conquista do prêmio, a dançarina diz ter voltado enriquecida pessoal e profissionalmente, com o contato com outras culturas. “Foram dias de trocas de informação e experiências muito intensas, valiosas até mais que o prêmio”, considera.
Além do retorno à próxima edição do evento, a performance de Jade rendeu à bauruense convites para se apresentar no Festival Kentucky, em outubro, nos Estados Unidos, e para o Festival da Turquia, que será realizado em abril de 2009.
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História
Por conta da sensualidade, característica marcante da dança do ventre, Jade teve que esperar até os 14 anos para começar a dedicar-se à paixão que cultivava desde criança. E foi ocultando a verdadeira idade e mantendo em segredo as aulas do conhecimento da mãe, que a dançarina deu início a prática que já dura oito anos. “O Teatro Municipal oferecia aulas apenas para maiores de 15 anos. Então, foi com a ajuda da mãe de uma amiga que comecei a freqüentar o curso sem revelar minha idade”, conta.
É claro que a peripécia da adolescente não ficou oculta por muito tempo, nem para a mãe, nem para os professores. Mas diante do promissor talento de Jade, que com apenas um mês de aula já passou a integrar o grupo profissional do teatro, todos se renderam. “Eu tinha algumas dificuldades para me apresentar à noite por conta da idade, mas fomos dando os nossos ‘jeitinhos’. E a minha mãe começou a fazer aulas também para me acompanhar”, esclarece.
O apelido, hoje mais conhecido do que o próprio nome, vem dessa época. Quando a bauruense começou seu aprendizado na dança do ventre, começava também a novela “O Clone”, exibida pela Rede Globo. Foi assim que Giovana Antonelli, protagonista da trama permeada pela cultura árabe, transformou Mariana em Jade.