Polícia

Treinamento é chave para sucesso em ação de confronto armado

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Para que o policial aja de forma racional num momento de estresse intenso, como um confronto armado, o coronel Nilson Giraldi explica que o segredo é o treinamento, que precisa ser baseado em simulações. “O principal fundamento do método (de tiro defensivo) são os reflexos condicionados positivos serem obtidos pelo policial em treinamentos imitativos da realidade, com a eliminação dos negativos antes de se ver envolvido pelo fato verdadeiro”, explica. As abordagens são repetidas até que os movimentos do policial diante de uma troca de tiros, por exemplo, se torne intuitiva.

Durante um confronto armado, a reação física e a emoção do policial são tão intensas que na maioria das vezes ele perde o raciocínio. “A pressão arterial dele dobra, ele fica branco, sua frio, o estômago diminui, os batimentos cardíacos passam dos 200 por minuto, a pupila dilata, a visão cria um efeito de túnel”, enumera o coronel. Por isso, é necessário muito treino.

O sargento Rui José Franco de Godói Júnior, instrutor do Método Giraldi no 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPMI-4), explica que durante sua formação, o policial faz um curso preparatório de 13 meses. Neste período, mais de 120 horas são dedicadas ao treinamento de tiro defensivo. Além disso, todos os anos o policial militar freqüenta um estágio de aprimoramento profissional, que dura uma semana. “E um dia inteiro deste estágio é para a prática de tiro defensivo e preservação”, explica o sargento.

Godói Júnior destaca que o método determina a preservação da vida e, caso necessário, o uso gradual de forças. “E a arma é sempre o último recurso do policial”, enfatiza. Ele afirma que o procedimento é eficaz. “Cerca de 70% dos casos são resolvidos com conversa e os outros 30% com o uso da força”, observa.

Mas ele avalia que a maior dificuldade durante o treinamento é justamente a negociação. “Dos pontos que temos que obter, 20% são da avaliação do tiro. A grande maioria é a avaliação do procedimento, do seu posicionamento, como se abrigar, como conversar”, afirma. Em Bauru, o treinamento de tiro é realizado na sede do Comando de Policiamento do Interior (CPI-4), na Vila Antártica.

O coronel Giraldi destaca que a intenção do policial durante a abordagem não é atingir o criminoso. “Ele dispara contra para cessar uma agressão de morte contra a vítima”, destaca. Giraldi garante que muitos casos podem ser resolvidos sem o disparo de armas de fogo e, quando não há alternativas, policiais treinados no seu método teriam condições de obter resultados positivos em praticamente 100% das situações.

O coronel faz questão de destacar que seu método é capaz de reduzir em 95% a morte de policiais em serviço – os outros 5%, segundo ele, são as fatalidades quase impossíveis de serem evitadas. Além disso, reduz a zero o risco de morte de um inocente provocado por policiais em serviço e a perda da liberdade desses policiais em virtude do uso incorreto da arma.

Com números que sabe de cor, ele exemplifica a eficiência de seu método. “Em 1999, 318 policiais militares de São Paulo foram assassinados em serviço. Em, 2000 era um por dia. A previsão é que em 2007, seriam 500. E com a aplicação do método, foram 22 e desses, nenhum tinha aprendido o método”, destaca.

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