Desmotivação, tristeza, mau humor, irritação, estresse, baixa auto-estima, falta de concentração, cansaço permanente e queda no rendimento profissional. Esses são alguns dos sintomas característicos de quem não anda muito satisfeito no trabalho. Para quem se encaixa nesse perfil, os especialistas fazem um alerta: talvez seja o momento de abandonar o conformismo e buscar novos desafios.
“Se a pessoa não vê mais possibilidade de crescimento dentro da empresa e o aspecto financeiro já não compensa mais o desgaste de permanecer naquele emprego, então é o momento de sair em busca de algo novo”, ensina a analista de recursos humanos Elaine Galvão.
No entanto, ela destaca que toda mudança representa um risco e, por esse motivo, é preciso cautela, por mais insustentável que pareça a permanência na empresa atual. “Nunca peça demissão sem a garantia de um outro emprego. De modo geral, os profissionais que ainda estão trabalhando acabam recebendo as melhores propostas porque são mais valorizados pelo mercado”, pondera.
Segundo Galvão, antes de tomar uma decisão extremada, também deve-se considerar os compromissos financeiros - como contas e dívidas a pagar - e ponderar o que essa mudança pode trazer de positivo e negativo a longo prazo.
A analista explica que antes de aceitar uma vaga de trabalho, o profissional deve conhecer a cultura, o tamanho e o histórico da empresa, além de verificar quais são os benefícios trabalhistas oferecidos. Também é interessante investigar se a empresa está em fase de expansão, se proporciona um ambiente de trabalho favorável e quais são as possibilidades de desenvolvimento da carreira.
“Não é recomendável mudar de emprego pensando apenas em uma proposta de melhor salário. Caso contrário, são grandes as chances de a pessoa ficar descontente com o trabalho novamente”, observa.
Motivação
Para Natália Rodeguero, também analista de recursos humanos, a qualidade do trabalho de um profissional estimulado apenas pelo salário não é tão boa quanto a de um trabalhador que gosta do que faz. Por essa razão, quem desempenha suas funções motivado tem mais chances de ser bem sucedido.
“De nada adianta ter um bom salário. Quem está sem motivação não trabalha bem e não é feliz como pessoa. Mas, antes de mudar de empresa, a pessoa precisa fazer uma auto-análise e avaliar se está apta e madura para assumir esse novo desafio”, orienta.
Mesmo para quem pretende galgar um novo cargo dentro da empresa atual, o cuidado deve ser o mesmo. Dependendo do nível de relacionamento que o profissional tiver com seu superior, vale a pena mostrar-se disposto a enfrentar novos desafios e sondar sobre a possibilidade de uma promoção.
Conforme ressalta Rodeguero, ao mesmo tempo em que o profissional precisa provar ser capaz de realizar mais do que lhe é exigido, também não pode deixar transparecer insatisfação com o cargo atual. “As empresas valorizam os profissionais que assumem riscos e aceitam novos desafios, seja dentro ou fora da empresa. Mas é preciso se aprimorar, freqüentando cursos, por exemplo, para estar preparado quando novas e boas oportunidades surgirem”, finaliza.
____________________
Eles mudaram
• “Já tinha trabalhado como mecânico, metalúrgico e passei os últimos 15 anos como porteiro. Há dois anos e meio, recebi uma proposta de salário bem melhor e com mais benefícios. Em pouco tempo, consegui comprar uma casa. Além disso, o ambiente de trabalho nesse novo emprego é bem melhor.” Sidnei Fernandes Borges, 46 anos, porteiro.
• “Trabalhava como garçom, sem registro em carteira, sem horário fixo, à noite, inclusive nos finais de semana. E o salário variava muito, porque a maior parte do rendimento do garçom vem de comissões. Por indicação de um amigo, acabei sendo contratado como embalador e hoje tenho uma estabilidade de vida bem maior.” Oséias Ramalho Castro, 22 anos, embalador.
• “Trabalhava como recepcionista em uma escola de idiomas. Tinha problemas com registro, não recebia nenhum benefício. Como estava muito insatisfeita, acabei pedindo demissão e fui procurar um emprego melhor. Há oito meses, fui contratada por uma empresa grande e hoje me sinto muito mais motivada.” Jamili Aparecida dos Santos, 20 anos, recepcionista.
• “Fui embora para Ribeirão Preto para estagiar em um escritório de design, mas resolvi voltar quando surgiu uma proposta de trabalho que me daria oportunidade de crescimento profissional. Como eu já tinha namorado e toda uma estrutura pronta aqui em Bauru, foi mais fácil tomar essa decisão.” Valéria Ramos Friso, 22 anos, estudante de design.