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Agudos busca faculdade de medicina

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 6 min

Agudos completa hoje 110 anos. Só isso seria motivo para comemoração. Mas o Município, cidade-irmã de Bauru, tem muito a festejar. É um dos maiores arrecadadores de tributos federais e estaduais da região, está a caminho de ganhar uma faculdade de medicina, vai abrigar a maior fábrica de MDF do mundo, está implantando seu parque industrial, tem 90% da cidade asfaltada e é um dos maiores municípios, em área, do Estado de São Paulo. Com a vocação industrial definida, a cidade enfrenta, como todo o País, o desafio de abrir vagas no mercado de trabalho e quer receber pequenas, médias e grandes empresas.

Quem chega a Agudos logo percebe que o Município passou por uma grande transformação nos últimos anos. A grande avenida Carvalho Pinto, de acesso ao Centro da cidade, é sinal de desenvolvimento que se contrasta com o ar de Interior, uma característica que Agudos não perdeu, apesar dos avanços. Os moradores, em sua maioria, se conhecem e convivem como numa comunidade pequena.

Cidade pacata, ela reúne atributos que são uma verdadeira receita para boa qualidade de vida. Ingredientes como arborização em abundância, qualidade de água invejável e baixo índice de criminalidade são garantias natas.

Mas, como na maioria dos municípios brasileiros, Agudos enfrenta o desafio de driblar o desemprego. O prefeito José Carlos Octaviani admite que o número de vagas está longe do ideal. “Os jovens precisam de trabalho para uma vida digna. O desemprego no Brasil não é diferente em Agudos”, frisa.

Para atrair novas empresas, a prefeitura está instalando o Parque Industrial, na avenida Carvalho Pinto. “Queremos atrair empresas de médio e pequeno porte que absorvam a mão-de-obra jovem agudense. Vamos dar incentivos para aquelas que quiserem se instalar por aqui.”

A compra de 40 alqueires de terra na entrada da cidade foi o primeiro passo para a instalação do Parque Industrial. “A avenida era de pista simples e transformamos em uma ampla avenida. Adquirimos a área com um prédio que já abrigou a Hatsuda. Vamos construir galpões para instalação de empresas”, revela Octaviani.

A ampliação da Duratex também é sinal de baixa no desemprego do Município. “A fábrica de MDF vai gerar cerca de 400 empregos, diretos e indiretos. A instalação vai gerar emprego no campo, em toda a região, uma vez que a empresa está comprando áreas para o plantio de matéria-prima”, completa o prefeito.

Maior geradora de tributos

A Ambev e a Duratex formam a locomotiva da geração de tributos federais e estaduais do Município. Os vagões ficam por conta das pequenas e médias empresas, admite o prefeito. “Agudos produz mais impostos que muitas cidades de maior porte, como Bauru, por exemplo. Conta com uma arrecadação mensal média de R$2,2 milhões. Possui aproximadamente 1.872 empresas cadastradas, sendo 66 indústrias e 312 casas comerciais.”

No entanto, a transferência de recursos, na opinião de Octaviani, não é suficiente para suprir todas as necessidades de Agudos. “As nossas indústrias produzem milhões em recursos para o governo do Estado e federal, através da produção da cerveja e da madeira. Porém, o retorno depende do número de habitantes e da arrecadação do Município”, diz.

‘Vou voltar à prefeitura’

Há oito anos na administração municipal, Octaviani não poupa elogios à cidade. “Os moradores têm orgulho da cidade. Administrei Agudos com paixão, firmeza e respeito ao dinheiro público.”

Sem papas na língua e sem freio na modéstia, o atual prefeito admite que quer voltar ao cargo máximo do Executivo. “Gostaria de dar continuidade a essa governança. As leis brasileiras não permitem, por isso vou sair, mas prometo voltar. Nunca houve na história de Agudos um prefeito por três oportunidades e eu vou disputar o terceiro mandato”, finaliza.

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Sonhando com a medicina

Uma faculdade de medicina, que já foi plataforma eleitoral de candidatos bauruenses, poderá se tornar realidade em Agudos. A afirmação é do prefeito José Carlos Octaviani. Ele garante que um grupo empresarial está pleiteando a instalação. “As dificuldades existem, mas devem ser transformadas em metas a serem superadas. Eu acredito que vamos transpor os obstáculos e conquistar o sonho que não é só de Agudos, mas de Bauru e de toda região.”

Trilhando esse caminho, o prefeito antecipa que já recebeu na cidade uma equipe que visitou e vistoriou o hospital, que será um parceiro da instituição. “Agudos poderá ter a faculdade de medicina. Infelizmente, isso não acontecerá na minha administração, uma vez que faltam apenas cinco meses”, lamenta o prefeito.

Belezas naturais

Agudos tem belas cachoeiras, cascatas, clima de serra e fazendas históricas. Ingredientes que garantiram o selo de Município com potencial turístico e que, nas mãos de um grupo de moradores, apoiados pela prefeitura, atraem turistas de todo o País que procuram lazer no turismo rural. Porém, para deslanchar no item turismo, segundo o prefeito, ainda faltam recursos. “O Comtur tem feito um bom trabalho, mas precisamos receber recursos federais para incrementar o turismo e gerar empregos”, afirma Octaviani.

Para ele, a cidade carece de infra-estrutura. “Precisamos de mais restaurantes e de incrementos na área de hotelaria. Temos paisagem exuberante, quedas d’água, riachos, reserva florestal e fazendas históricas, como a São Benedito, São João e Sítio Sinhá Moça, que possuem estrutura para receber turistas. O seminário Santo Antônio é outro ponto turístico.”

90% asfaltada

O sucessor de Octaviani vai encontrar a cidade com 90% das ruas asfaltadas. “Há ainda dois bairros, o Parque Pampulhia e o Jardim Santa Cândida, que carecem do benefício”, aponta.

A duplicação da avenida Richard Freudemberg foi um marco na questão das obras. A remodelação da praça Tiradentes, a instalação de três postos de saúde e de uma escola, que está na fase de licitação, fazem parte da mesma lista. “Em Agudos, não tem nenhum aluno fora da escola por falta de vagas. Até o final da minha gestão, vou instalar uma escola no Parque Pampulha, um investimento de R$ 1,5 milhão. A mortalidade infantil caiu de 13 óbitos em crianças menores de 1 ano, em 2000 para dois casos em 2002”, complementa Octaviani.

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Agudos em números

• Fundação: 1898

• Clima: média de 26 graus (temperado)

• População: cerca de 35 mil habitantes

• Área: 956 quilômetros quadrados

• Educação: 12 escolas municipais, cinco estaduais, três particulares, uma unidade do Sesi e uma faculdade

• Saúde: seis postos de saúde, três unidades do Programa de Saúde da Família e um hospital

• Segurança: uma delegacia e uma base da Polícia Militar

• Bancos: cinco agências

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Uma dose de história

• Agudos já foi habitat de ferozes índios caigangues. Em meados do século 19, chegaram paulistas e mineiros, os primeiros exploradores de terra para cultura.

• Foi criado o distrito de paz, pela Lei Estadual 514, de 2 de agosto de 1897, no território policial de São Paulo dos Agudos, do município e comarca de Lençóis.

• Em 1905, uma lei estadual simplificou o nome de São Paulo dos Agudos para Agudos.

• Em 1911, o município de Agudos compõe-se de dois distritos: Agudos e Piratininga.

• Em 1933, o município é composto por dois distritos: Agudos e Tupá.

• Em 1936 e 1937, município conta com quatro distritos: Agudos, Bandeirantes, Santa Cruz da Boa Vista e Tupá.

• De 1939 a 1943. é extinto o distrito de Tupá e o Município passa a ser constituído de : Agudos, Bandeirantes e Dona Amélia (antigo Santa Cruz da Boa Vista).

• Em 1945/1948, o Município se compõe de: Agudos, Domélia e Paulistânia.

• Em 1995, o quadro se altera e é criado o Município de Paulistânia. Agudos passa a ter um distrito, Domélia.

• Agudos também é conhecida por: Princesa Industrial, Açucena da Serra e Terra da Cerveja

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