Tribuna do Leitor

Nota de falecimento


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Comunicamos com grande tristeza o falecimento neste domingo, 27 de julho de 2008, da I Bela Arte: Feira de Artesanato dos artistas do Bairro Bela Vista. O fato não ocorreu por obra do destino, mas graças à incompetência daqueles que deveriam estar nos seus cargos apenas cumprindo o que lhes diz respeito: honrar e trabalhar pelo bem da comunidade.

Ao contrário, vivem num jogo de empurra, em eternas reuniões (sic), inacessíveis a qualquer hora do chamado horário de trabalho. Funciona assim: na tentativa de realizarmos a Feira, contatamos a Secretaria de Cultura, cuja orientação foi apresentar o projeto no Poupatempo. Fato consumado, tempo passando, fomos despachados para a Seplan (Secretaria do Planejamento?). Muitos dias depois, fomos alertados que o “caso” era da alçada da Sema (Secretaria do Meio Ambiente?) pois o evento seria em uma praça pública (sim está escrito “praça pública”) e só eles poderiam autorizar... Encaminhado mais um ofício e, apesar de toda a boa vontade e simpatia de dona Dalva (fato raro fora do Poupatempo), finalmente, em 3 do corrente (o processo começou em 8 de abril...), fomos chamados para firmarmos um certo termo de compromisso, quando então seria desencadeado o estudo para o fornecimento do tão sonhado Alvará, a ser emitido no Poupatempo!

Reunidos todos os artesãos, imediatamente desistimos, pois, os termos inviabilizam a feira. Coisas como: “é proibida a fixação de placas, faixas ou cartazes, etc”. Qualquer coisa que ocorresse no local nos cobrariam 1.000 Ufirs: se caíssem galhos, se pisassem na grama (que grama?).

Nos causa estranheza tanto zelo, pois o local atualmente, está cheio de bêbados, drogados, mesmo de dia; não há condições de passar perto dos banheiros, imundos. Está tudo abandonado.

Agora uma pergunta ingênua: quantas Ufirs foram arrecadadas daquela boiada que ficou pastando no Parque Vitória Régia, dias; fizeram um acampamento, churrascada, gineteada e aquelas farras de bois. E eles foram autorizados por qual dos destemperados secretários? Tudo indica.

Também não deixamos de notar a incrível coincidência: um dos afoitos secretários, enquanto “estudava o processo”, “criou” uma feira parecidíssima com o nosso projeto, só que confinada, ao lado da consagrada “Feira do Rolo”; com barraquinhas padronizadas e artesanatos “made in” (‘).

Aliás, ouvimos de outro que a cidade já tinha uma feira de artesanato e não comportaria mais uma! Que mente de estadista. Lamentamos o falecimento da feira, neste finado governo. Felizmente as eleições vem aí. Só na minha família eles perderam mais de cem votos; contando com os mais de cinqüenta artesãos, familiares e amigos...

Valeu a experiência: conheci gente muito boa e gente que não vale nada. Gente talentosa, e gente desprezível. E comprovei que uma das poucas coisas em Bauru que funciona, e bem, é o Poupatempo. Por que já não se arruma uma sala por lá para o futuro prefeito? Em meu nome e de todos os demais frustrados, agradecemos o patrocínio cultural da Gi Artes e do Grupo Confiança.

José Renato Quatrina - RG 5.537.072

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