Gaza - Forças de segurança do grupo islâmico palestino Hamas detiveram ontem mais de uma centena de membros da facção rival Fatah na Faixa de Gaza, em resposta a uma série de explosões que matou cinco atiradores do grupo, um transeunte e uma menina de oito anos anteontem.
O Fatah nega vínculos com os ataques e culpa disputas internas do Hamas pelas mortes. Há relatos discordantes sobre o número de detidos, que vai de cem a 120 pessoas - a última cifra é a apresentada pelo Hamas.
O pior ataque de anteontem ocorreu próximo a um carro ocupado por membros do braço armado do Hamas, matando os atiradores e a menina.
Nos outros casos, uma bomba explodiu em uma cafeteria -matando um pedestre- e outra foi detonada na casa de um dos dirigentes do Hamas.
A sexta-feira marcou um pico de violência em Gaza desde que o Hamas, que venceu as eleições legislativas de janeiro de 2006, expulsou as forças do Fatah e tomou controle do território há cerca de um ano.
A Faixa de Gaza também gozava recentemente de relativamente calma pela trégua negociada com Israel, com a intermediação do Egito, que vigora desde 19 de junho último, apesar de violações localizadas.
Membros do Hamas culparam militantes do “partido fugitivo” - em alusão ao Fatah - pela explosão das bombas.
Apesar de altos oficiais do Fatah negarem responsabilidade no ataque, um grupo chamado Brigada de al Awda, que se diz alinhado ao partido, assumiu a autoria. A autenticidade da alegação não pôde ser independentemente verificada.
“A hora da virada vai chegar para todos os que ajudaram a executar e acabar com nosso povo’’, disse a Al Awda em um comunicado. “Nossa vingança vai chegar a todos os membros da milícias negras da força executiva e líderes do Hamas.”
Anteriormente, a cúpula do Fatah afirmara que o ataque foi resultado de disputas internas do próprio Hamas.
“A alegação de que o Fatah executou essas explosões é uma tentativa de encobrir o fato de que há disputas dentro do Hamas”, disse em nota o escritório do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, líder do Fatah.
O Hamas também fez buscas em escritórios de membros do Fatah e confiscou documentos e computadores. Ao mesmo tempo, as ruas do território foram tomadas por milhares de pessoas que participaram dos funerais.