Polícia

PM não libera gravação do Copom

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Com o objetivo de esclarecer os motivos que levaram o policial militar Halley Thiago Sossai, 24 anos, a disparar contra o também policial Luís Gustavo dos Santos Carreira, 26 anos, o Jornal da Cidade solicitou à Polícia Militar (PM) acesso às gravações do Centro de Operações da PM (Copom) do final da noite de sexta-feira e início da madrugada de sábado. Porém, a assessoria de imprensa da corporação negou o pedido, alegando que não fornece cópias das gravações das comunicação de rádio. O advogado da família da vítima destaca que, se ficar comprovado que o Copom orientou o policial a acompanhar o carro de Carreira, acionará judicialmente o Estado. Ambos estavam de folga e à paisana.

Na sexta-feira, a 0h45, Sossai acertou três disparos contra Carreira, na frente da casa da vítima, na Vila Monlevade, em Bauru. Carreira chegou a ser socorrido, mas morreu poucas horas depois. Em entrevista concedida ao JC, a noiva de Sossai reafirmou que o policial manteve conversa constante com Copom, que teria orientado o soldado a acompanhar o veículo de Carreira. Os diálogos mantidos com a central são gravados e armazenados. O material seria de interesse tanto da defesa do autor dos disparos quanto da família da vítima.

Em resposta ao pedido da reportagem, a PM informou que a legislação interna da corporação diz que é terminantemente proibido fornecer cópias de gravações de comunicações de rádio de forma a preservar a segurança. Adilson Sartorello, advogado da família de Carreira, afirmou não acreditar que a orientação tenha partido da central. “Não se pode admitir que alguém no Copom tivesse dado uma autorização nesse sentido, que um policial à paisana, sem viatura, com civis no carro, perseguisse alguém”, observa.

O advogado afirma que a família aguarda as gravações. “Se for confirmado que o Copom foi quem orientou Sossai, a perseguir e a abordar o outro veículo, que o autorizou a fazer isso, é um absurdo, um despreparo não só do Sossai mas de quem o orientou nesse dia. E as medidas contra o Estado que tiverem ser tomadas, nós tomaremos. Não só como punição mas que seja educativo, para que isso nunca mais se repita”, pontua.

A transcrição das gravações deve ser solicitada pela Polícia Civil, que ontem abriu inquérito policial para investigar as circunstâncias da morte de Carreira. De acordo com o delegado assistente Marcelo Haddad, por determinação do delegado seccional em exercício, Antônio Luiz Sampaio de Almeida Prado, foi instaurado inquérito policial na Delegacia Seccional, que será presidido pelo próprio Haddad. “Ele determinou e eu vou presidir”, destacou. “Nós já solicitamos cópia do material para instruir o inquérito policial”, frisou.

Haddad ressaltou que a Polícia Civil tomou providências sobre o fato desde a comunicação do homicídio, quando o delegado de plantão se dirigiu ao local onde estava ocorrendo a autuação em flagrante. Com a abertura do inquérito, o delegado afirmou que deverá aguardar os laudos técnicos elaborados pelo Instituto Médico Legal (IML) e pelo Núcleo de Perícias Criminalísticas da Polícia Científica. Também deverá analisar o material que será enviado pelo comando da PM e agendará os depoimentos de testemunhas sobre o caso.

Hemorragia

Na tarde de ontem, o IML informou que Carreira morreu por conta de uma hemorragia traumática interna, provocada pelos disparos. Segundo o instituto, duas balas perfuraram a região do tórax da vítima. Uma atingiu o ombro esquerdo e transfixou a artéria aorta do policial, outro projétil perfurou a região próxima ao mamilo esquerdo de Carreira e atravessou a mesma artéria. A terceira bala perfurou a coxa do policial.

De acordo com o IML, foi recolhida amostra do sangue do policial para exames toxicológicos e de dosagem alcoólica. Os resultados devem sair em duas semanas. O exame residuográfico, que pode atestar se a vítima também disparou contra Sossai, será elaborado pelo núcleo de perícias da Polícia Científica. E como as armas dos policiais ainda estão apreendidas pela Justiça Militar, não foi divulgado quantos disparos cada policial fez. No local foram recolhidos setes projéteis deflagrados.

A defesa de Sossai entrou com pedido de liberdade provisória no Tribunal de Justiça Militar (TJM), mas até o início da noite de ontem não havia obtido resposta e até o encerramento da reportagem, o policial permanecia preso no Presídio Militar Romão Gomes, na Capital.

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Perguntas ainda sem respostas

1 - Houve ou não troca de tiros entre os policiais? Apenas Sossai atirou?

2 - Dos 7 projéteis encontrados no local, quantos eram da arma de Sossai?

3 - O que ocorreu para que a discussão entre os policiais tivesse início?

4 - Que fatores levaram Sossai a perseguir Carreira por quilômetros?

5 - Ele teria sido autorizado pela PM a perseguir o colega?

6 - Por que eles não se identificaram como policiais no início do desentendimento?

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