Tribuna do Leitor

Apagão aéreo


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Decorrido um ano da tragédia de Congonhas, que se seguiu àquela do avião da Gol que se chocou em pleno ar, as medidas em favor do setor aéreo mal saíram do papel. Em verdade, pararam de vez, tal como se parou a vida de 360 vítimas. Como tudo no governo, só se finge adotar alguma providência no calor da refrega. Na verdade, no calor das chamas que consumiram os aviões. O apático Waldir Pires, que nada entendia de setor aéreo, deu lugar ao Rambo brasileiro, Nelson Jobim, que igualmente entende de coisa alguma.

Os equipamentos continuam obsoletos e com falhas, os controladores de vôo continuam sem treinamento adequado, as instalações continuam deficientes, pistas não foram construídas e não serão ampliadas e novas rotas não foram traçadas, embora 40% dos recursos já tenham sido liberados. A corrupção que permeou a ANAC e a Infraero mandou para os ares apenas a ética no Brasil, mas se esqueceu dos aviões.

Curiosamente, enquanto o Senado anuncia 90 novos assessores para cargos em comissão, ao salário de R$ 10.000 cada, contratou-se apenas 20% do déficit de controladores de vôo. E olha que com a farra do Senado daria para contratar 300 daqueles. De lá para cá, a única coisa que andou no setor foi a esquisita aquisição da VarigLog, pela influência criminosa de Lula e seu “cumpadre”, Roberto Teixeira. No mais, tudo está como antes das tragédias.

O mais lamentável disso tudo é que os arroubos de indignação do governo não passaram de pirotecnia, porém, ao invés de queimar fogos, a única coisa que queimou foi carne humana. Que venha o próximo acidente.

Ivan Garcia Goffi

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