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Diminui mortalidade infantil na região

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Embora enfrente constantes crises na saúde, principalmente em relação às crianças, Bauru parece ter ganho um motivo para comemorar. Em 2007, o índice de mortalidade infantil na região caiu para 13,5 óbitos de crianças menores de um ano por mil nascidas vivas, contra 14,3 registrados no ano anterior.

É o que revela o mais recente estudo da Secretaria de Estado da Saúde, com base em informações da Fundação Seade. Apesar de o índice de mortalidade infantil na região de Bauru ter diminuído entre 2006 e 2007, ele ainda continua sendo mais alto do que a média paulista.

No estudo, o Estado atingiu o menor índice de mortalidade infantil de sua história. A taxa ficou em 13,1 óbitos por mil nascidos vivos, o que representa uma queda 11,5% em relação a 2003, quando o índice era de 14,8. Se comparado com 1995, ano em que o índice ficou em 24,6, a queda foi de 46,7%.

A expansão do saneamento básico, a melhoria da assistência às gestantes e aos recém-nascidos e a vacinação em massa pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são os principais motivos para a queda das taxas, segundo a Secretaria de Estado da Saúde. O índice é considerado o principal indicador de saúde pública pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Na queda da mortalidade infantil, a médica pediatra Jaíra Maria Rocco Kirchner, coordenadora do Programa de Saúde da Criança, mantido pela rede municipal, em Bauru destaca a importância que o atendimento à gestante ganhou dentro do serviço de assistência à saúde da mulher. “Na medida do possível, as unidades básicas de saúde tentam facilitar o acesso ao pré-natal às gestantes do SUS. Elas não precisam enfrentar fila e, assim que é confirmada a gravidez, já são encaminhadas para consulta, quando são solicitados todos os exames preventivos”, observa.

PSF

Outro fator importante enfatizado pela médica na redução dos índices é a implementação do Programa Saúde da Família (PSF), em que as equipes estabelecem relações de proximidade com as gestantes. “Os agentes acompanham, por exemplo, se as mães estão seguindo as orientações do pré-natal até os cuidados que devem ter no período pós-neonatal, como a vacinação”, diz.

Na avaliação de Jaíra, um dado importante é que a cidade também vem registrando quedas sucessivas no número de mortes durante o período pós-neonatal (acima do 28º dia de vida até 1 ano de idade). “Na nossa região, o grande responsável pela mortalidade infantil são os óbitos ocorridos no período neonatal (até 28º dia após o nascimento), marcadamente nos primeiros seis dias de vida”, frisa.

A médica explica que a concentração dos registros de morte nos dias iniciais de vida é característica dos países desenvolvidos, como Dinamarca, Japão, Suécia, Islândia e Finlândia. “Os óbitos ocorridos no período pós-neonatal são muito influenciados por falta de saneamento básico, educação e acesso aos serviços de saúde. Quando um município começa a ter uma qualidade melhor nesses aspectos, esse coeficiente pós-neonatal tende a diminuir”, resume.

Isso porque, segundo ela, os problemas originados no período neonatal estão fortemente vinculados a malformações congênitas, deformidades e anomalias cromossômicas, disfunções que dependem de desenvolvimento tecnológico da medicina. “São doenças que não estão diretamente relacionadas à qualidade da assistência básica prestada pelo município. Nós não tivemos, por exemplo, nenhum caso de morte por doença diarréica (por desidratação) no ano passado”, pontua.

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