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Bispo de Bauru é transferido para Capital

Por Luciana La Fortezza | Com Redação
| Tempo de leitura: 6 min

O Papa Bento 16 anunciou ao meio-dia de ontem (horário de Roma - 7h em Brasília) a transferência do bispo de Bauru, dom Luiz Antônio Guedes, 62 anos, para a Diocese de Campo Limpo, na Capital paulista. Ele substituirá dom Emílio Pignoli, 75 anos, que renunciou. A data da posse ainda não foi marcada e deve ocorrer dentro de aproximadamente 60 dias. Também não há data exata para Bauru ter novo bispo.

“Deve ser final de setembro. Dom Emílio propôs uma determinada data que é um pouquinho para frente dessa aí por uma razão histórica da diocese. A gente tem que acertar com o cardeal-arcebispo e com o núncio”, comenta o ainda bispo de Bauru. Ele admite estar dividido com a novidade, informada a ele no início deste mês.

“A gente está bem aqui, acostumado com o pessoal, já tem uma caminhada”, diz ele que estava em Bauru há seis anos e meio. Assim como enfrentou dificuldades em Bauru, reconhece que sua missão em Campo Limpo talvez não seja das mais fáceis. A diocese abrange bairros paulistanos como Capão Redondo e Morumbi, além de seis municípios da Grande São Paulo, entre eles Embu e Itapecerica da Serra.

“Tem bastante pobreza. É maior, a realidade é mais ampla. Quando o Papa nomeia o bispo para outra diocese, ele não está pensando no bispo, em dar promoção. Está pensando em responder a necessidade daquela diocese”, avalia. Em Bauru, sempre atuou de forma comedida, sem fazer grandes gastos para manter no azul a diocese, que sobrevive com contribuições das paróquias.

“Lá, pelo que eu sei, há algumas fontes de renda para ajudar na manutenção, que Bauru não tem. Quando fui nomeado para cá, entrei no site e fique com uma idéia de cidade grande, muito desenvolvida, com muitos recursos. Depois percebi que tinham muitos desafios, muitas dificuldades, a questão da administração, a pobreza também. Até o dia em que eu assumir lá, continuo sendo bispo de Bauru”, explica.

Empenho

Dom Luiz Antônio Guedes informa que, ao enviar a carta de aceitação, anexou uma outra na qual pediu empenho para que Bauru tenha logo um novo bispo. Antes dele suceder dom Aloysio José Leal Penna, a diocese permaneceu entre agosto de 2000 e dezembro de 2001 numa situação chamada Sé Vacante, ou seja, sem bispo. “Pedi que não houvesse outro intervalo muito grande. Vou para Campo Limpo talvez no dia 11 de agosto. Vamos ter um primeiro contato. Ele (dom Emílio Pignoli) vai me passar as informações”, acrescenta.

Até que tome posse, dom Emílio Pignoli continuará com a mesma autoridade na diocese, mas agora como administrador apostólico e não mais como bispo. Quando for substituído, mesmo de longe, poderá acompanhar a continuidade do trabalho que deu início.

“Meu modo de ser não é de impor uma determinada linha. Sou muito de observar primeiro, de valorizar o que existe. Depois, pouco a pouco, com a participação das pessoas com quem a gente trabalha, é que vamos descobrir o que é necessário fazer a mais. Trabalhar em conjunto, em equipe, é minha marca maior”, afirma dom Luiz Antônio.

Seu estilo deixará saudade. “Ele foi um verdadeiro pastor, de acolher, de diálogo, de gastar tempo com as pessoas. Desejo todo sucesso”, conclui o padre Luiz Antônio Lopes Ricci, pároco da Igreja de São Cristóvão e coordenador da pastoral da diocese.

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Administrador

A Diocese de Bauru será considerada Sé Vacante se não for nomeado um novo bispo até a data da posse de dom Luiz Antônio Guedes em Campo Limpo. Nesse caso, o Colégio de Consultores do Bispo, formado por padres do Conselho Presbiteral Diocesano, terá 48 horas para se reunir e eleger um administrador diocesano entre os padres, informa a assessoria de imprensa da Diocese de Bauru.

Essa situação ocorreu entre os governos de dom Aloysio José Leal Penna e dom Luiz Antônio, entre agosto de 2000 e dezembro de 2001, quando o padre Enedir Moreira foi o administrador diocesano. Atualmente, o Colégio de Consultores do Bispo é composto pelos padres Luís Antônio Cargueiro Sé, Luiz Antônio Lopes Ricci, Marcos Eduardo Pavan, Jesus Bringas Trueba, Rosinaldo Faria de Souza e Luiz Eduardo Monteiro Fontana.

No período de Sé Vacante cessam as funções de vigário-geral, atualmente ocupada pelo padre Luís Sé, e do Conselho Presbiteral. Sé e Ricci, mais uma vez, foram apontados por fontes consultadas pelo JC como candidatos a administrador. Há, no entanto, um comentário de que o padre indicado para a função possa vir de fora da cidade.

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Quem será o próximo?

Embora dom Luiz Antônio Guedes nem tenha tomado posse na Diocese de Campo Limpo, há quem pergunte quem será seu substituto em Bauru. Normalmente, o sucessor é nomeado ou transferido de outra região. A medida garantiria imparcialidade ao novo bispo frente a eventuais problemas. Sem relacionamento com a comunidade e com leigos, seria mais isento para tomar decisões.

Menos comuns, existem também casos em que assume a diocese um padre da própria comunidade ao ser elevado a bispo. Nesta situação, alguns nomes despontam em Bauru, com base no perfil elaborado pelo JC a partir de consultas no meio católico. O primeiro é do padre Luiz Antônio Lopes Ricci, pároco da Igreja de São Cristóvão e coordenador da pastoral. Segundo informações prestadas ao JC, ele foi reitor de seminário e concluiu doutorado em Roma.

Um outro forte candidato é o vigário-geral de Bauru, padre Luís Antônio Carqueijo Sé. Com boa formação, tem experiência em administração de paróquia. Um outro nome também lembrado é o do padre Enedir Gonçalves Moreira, cuja nomeação a bispo parecia certa na ocasião em que dom Aloysio José Leal Penna deixou Bauru ao ser nomeado arcebispo de Botucatu.

Conforme o JC já publicou, o processo de escolha de um novo bispo é meticuloso. A Nunciatura Apostólica - espécie de Embaixada do Vaticano em Brasília - envia um questionário, em caráter sigiloso, a bispos, padres, religiosas, leigos e leigas que residem na região da diocese que está sem bispo. O documento pede sugestão de nomes. De volta à Nunciatura, os nomes começam a ser pesquisados e avaliados, de acordo com o perfil da diocese.

A decisão, no entanto, é tomada em Roma, com a ratificação do Papa Bento 16. O indicado é comunicado e tem prazo para se manifestar. O anúncio é feito oficialmente pelo Papa nas audiências públicas das quartas-feiras. Ontem, a reportagem tentou contato com o núncio apostólico no Brasil, dom Lorenzo Baldisseri, mas ele está em Roma.

Conforme o JC apurou extra-oficialmente junto à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dificilmente ele prestaria qualquer informação sobre o sucessor em Bauru, cuja nomeação pode levar de um mês a um ano.

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