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Premiê israelense deve deixar cargo

Folhapress
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Tel Aviv - O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, anunciou ontem que renunciará ao cargo assim que o seu partido, o Kadima, escolher um novo líder, no dia 17 de setembro. “Decidi não concorrer às primárias do Kadima e também pretendo não interferir nas eleições. Assim que um novo líder for escolhido, renunciarei”, disse.

Olmert, 62 anos, ocupa o cargo desde janeiro de 2006, quando o primeiro-ministro Ariel Sharon entrou em coma após hemorragia cerebral, estado no qual se encontra até ontem. Então vice-premiê, ele assumiu de forma interina e, após dois meses, foi conduzido oficialmente à chefia do governo após a vitória do Kadima, de centro-direita, nas eleições legislativas.

Olmert vinha há meses resistindo a pressões por sua renúncia. Ele estava enfraquecido politicamente desde a guerra contra o Hizbollah libanês, em 2006, mas viu essa condição piorar após acusações de corrupção terem vindo à tona.

O conflito com Hizbollah, em solo libanês, durou 34 dias e foi considerado um fracasso, pois não conseguiu enfraquecer o misto de milícia e partido xiita e custou vidas de israelenses, além de centenas de civis libaneses. À época, a popularidade de Olmert caiu a menos de 20%. E assim permaneceu.

Depois, o seu nome foi envolvido em um esquema de arrecadação ilegal de campanha, ainda do tempo em que foi prefeito de Jerusalém e ministro da Indústria e Comércio. Em maio, o milionário americano Morris Talansky disse ter entregue, em 15 anos, U$ 150 mil em espécie ao premiê.

Olmert nega as acusações e, em mais de uma oportunidade, disse que renunciaria ao cargo apenas se fosse condenado.

O anúncio da renúncia ocorre quando pareciam evoluir, ainda que lentamente, negociações de paz com a Síria e com os palestinos. Teme-se que a troca de liderança israelense comprometa esses processos.

Em encontro em Washington ontem, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, a ministra do Exterior israelense, Tzipi Livni, e o negociador palestino, Saeb Erekat, garantiram que vão tentar cumprir o cronograma acertado em 2007 e chegar a acordo de paz ainda em 2008.

A sucessão de Olmert não será simples. Após ser escolhido, o novo líder do Kadima terá que recompor a coalizão governista, da qual faz parte o Partido Trabalhista, de centro-esquerda. Caso fracasse, serão antecipadas as eleições legislativas de 2010, nas quais o direitista Likud é favorito.

Os principais nomes para a liderança do Kadima são a própria Livni e o ministro dos Transportes, Shaul Mofaz. Caso as eleições sejam antecipadas, o ex-premiê Benjamin Netanyahu, do Likud, é o favorito. Ele foi um dos mais fortes críticos da recente trégua acertada pelo governo Olmert com o grupo palestino Hamas, que controla a faixa de Gaza. Também se opôs ao acordo com o Hizbollah para a troca de prisioneiros dos dois lados.

Segundo pesquisa publicada ontem pelo jornal “Haaretz”, Netanyahu tem 36% das intenções de voto, contra 24,6% de Livni e 11,9% do ex-premiê trabalhista Ehud Barak.

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