Quem pensa que lâmpada é lâmpada, que é tudo a mesma coisa, está redondamente enganado. Principalmente em se falando de lâmpadas automotivas. Conversando outro dia com meu amigo Tamarozzi, um expert em lâmpadas automotivas, notamos o grande desconhecimento da maioria sobre estes componentes fundamentais para a segurança. Muita gente nunca se preocupa com elas, até que se queimem e façam falta. Alguns nem isso, pois continuam rodando com os faróis e lanternas apagados ou queimados, sem nenhuma preocupação com a sua segurança ou a dos outros.
Como tudo na vida, as lâmpadas têm um prazo de validade por tempo de uso, e com o passar do tempo vão perdendo a eficiência e a capacidade de gerar lumens, ou seja, a quantidade de luz propriamente dita. Diz-se que uma lâmpada atingiu 60% de sua manutenção de lúmen quando ela produz 40% menos luminosidade do que uma lâmpada nova. A vida útil de uma lâmpada é especificada em seu projeto e depende de seu uso e aplicação. Uma lâmpada de carro é diferente de uma de moto, pois a moto sofre mais vibração e precisa de uma lâmpada com filamentos mais resistentes. Substituir simplesmente uma lâmpada por outra é jogar dinheiro fora, pois uma lâmpada de carro instalada em uma moto pode, por exemplo, durar muito menos do que o esperado por rompimento do filamento.
Quase a maioria das lâmpadas pequenas de um automóvel, por exemplo, as de iluminação interna, do painel e das lanternas (pisca, lanterna, freio e ré) ainda são as convencionais incandescentes, mas os faróis deixaram a muito tempo de ser assim e usam as halógenas com filamento de tungstênio. Cada farol tem um tipo de lâmpada ideal, em função do projeto de seu refletor. Existem refletores com uma única lâmpada com dois filamentos, sendo um para o facho alto e outro para o baixo, que devem ser perfeitamente posicionados para garantir um facho de luz bem distribuído e sem oferecer ofuscamento. Outros faróis têm um refletor para cada facho, um alto e outro baixo, usando então duas lâmpadas distintas de um único filamento. O resultado é um farol mais eficiente, seguro e bonito.
Estas lâmpadas halógenas não são baratas porque tem muita tecnologia embutida, e valem cada centavo. O facho de luz obtido com elas é mais claro, vai mais longe, não ofusca quem vem no sentido contrário e dá muito mais segurança para quem viaja de noite ou com chuva. Portanto, só traz benefícios. A recomendação dos fabricantes é que se troque as lâmpadas dos faróis principais a cada 2 anos para manter o mesmo poder de iluminação. Isto é devido a vários fatores, como a migração das moléculas de tungstênio do filamento para o bulbo de vidro, que vai escurecendo suas paredes e impedindo a passagem da luz, conseqüentemente reduzindo a eficiência e luminosidade da lâmpada. Mas, sinceramente, quem faz ou já fez isso na vida? Todo mundo espera a bendita lâmpada queimar para trocar... Por isso que tem carro rodando por aí com os faróis acesos que mais parecem uma lamparina!
Outra característica importante também é que os refletores antigos eram de vidro ou metal espelhado e hoje são, em sua grande maioria, de plástico recoberto com uma camada de cromo espelhado. O plástico é altamente sensível aos raios ultravioleta, ou UV, e se deterioram facilmente. As lâmpadas de bulbo de vidro não filtram o UV e, portanto, não são indicadas para os faróis plásticos. Para estes refletores existem as ótimas lâmpadas com bulbo de quartzo, que filtram o UV e não prejudicam o plástico. São um pouco mais caras, mas valem a pena. Este é um dos pequenos detalhes que poucos conhecem ou se interessam em saber, mas que fazem toda a diferença.
Agora, mesmo estas lâmpadas halógenas fantásticas se diferenciam entre si, tanto na aplicação quanto no desempenho. Existem algumas que são simplesmente mais fortes, dando um facho de luz mais brilhante. Outras mudam a cor (na verdade, a temperatura da cor, medida em graus Kelvin ou simplesmente K), podendo ser brancas brilhante (6000K), branca amarelada (3200K a 4000K), branca neutra ou arroxeada (4300K) ou azulada (5000K), fornecendo de 50 até 80% mais luz que as lâmpadas convencionais. Eu, particularmente, só uso estas lâmpadas.
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* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.