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DAEE lacrará 13 poços na cidade

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

O Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), órgão estadual, cancelará as outorgas (autorização para exploração) de 13 poços particulares de Bauru. Todos eles estão com elevada contaminação de nitrato, cuja ingestão em excesso provoca deficiência no processo de oxigenação das células. A doença conhecida como metaemoglobinemia pode levar à morte principalmente crianças.

A máxima concentração tolerada para o composto químico é de 10 miligramas por litro de água (mg/l). A análise na água dos 13 poços contaminados aponta índice superior ao limite permitido. “O máximo chegou a 13. Não é absurdo, mas está fora do padrão. Os donos já sabem. Quatro deles já estão fechados porque os proprietários resolveram por si deixar de utilizar”, explica Luiz Otávio Manfré, diretor de recursos hídricos do DAEE, cuja sede na região fica em Birigüi.

De acordo com ele, antes de determinar a lacração dos outros nove poços, foi solicitado ao Departamento de Águas e Esgoto (DAE) um relatório sobre a possibilidade do órgão abastecer os locais com problema. “Dá para atender imediatamente estes 13. Se a pessoa não tiver ligação da rede pública, é só providenciar. É uma coisa simples, numa região que a gente tem abastecimento”, informa a bioquímica do DAE, Giselda Passos Giafferis. É ela quem coordena os trabalhos com águas subterrâneas do departamento municipal.

“Quem tem poço é importante procurar saber a condição, porque, às vezes, as pessoas nem sabem. Principalmente quem tem clandestino. A pessoa fica com medo e está incorrendo em risco”, acrescenta ela. Segundo a bioquímica, outros 30 poços estariam com concentração de nitrato entre 5 e 9,9 miligramas por litro de água. No total, até o ano passado existiam em Bauru 29 deles pertencentes ao DAE e 320 de particulares cadastrados no órgão. Atualmente, os privados estão estimados em 250.

“Não estamos numa situação tão crítica. Todos os proprietários de poços fazem uma análise anual da água, pela lei municipal. Eles procuraram o laboratório que querem, pagam e entregam ao DAE”, esclarece Giafferis. Após a identificação do problema, o DAEE solicitou uma reanálise da água, que será elaborada pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e pela Vigilância Sanitária, comenta Manfré.

Com a confirmação dos dado, as pessoas correm riscos ao consumir a água, que não adianta ser fervida. Neste caso, a concentração de nitrato aumenta. “A água não fica com cor nenhuma e o DAE não tem nenhum poço contaminado”, ressalta o diretor do DAEE. Ele ainda enfatiza que, num primeiro momento, a idéia de contaminação generalizada, que havia sido suscitada, está descartada.

O alto índice de nitrato é resultado de um processo de contaminação do lençol freático que pode ter demorado até 50 anos. Como já publicou o JC, trata-se de uma poluição que não possui método para combate imediato e pode levar até 100 anos para ser revertida.

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