O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP) promoveu ontem, no Recinto Mello Moraes, o 1o Encontro Estadual de Produtores de Leite. Com o objetivo de fortalecer a cadeia produtiva de leite no Estado, o evento reuniu cerca de mil produtores, que tiveram a oportunidade de conhecer as principais tendências na produção do leite e obter informações importantes sobre produtividade, qualidade e mercado das pequenas propriedades paulistas.
De acordo com o diretor administrativo e financeiro do Sebrae-SP, José Milton Dallari Soares, o objetivo do encontro foi começar a levar uma conscientização, ao pequeno e médio produtor de leite do Estado, da importância que é a tecnologia, as boas práticas de produção e comercialização do leite. “Enfim, incutir uma nova cultura ao produtor para que ele possa, cada vez mais, melhorar a qualidade de seu produto, para ver se conseguimos buscar um preço melhor no Estado”, frisou.
Dallari ressaltou também que, a partir desse encontro, será feita uma avaliação para levar adiante a idéia de torná-lo um evento anual e itinerante, passando por vários municípios onde há concentração de produtores de leite.
A gestora estadual da cadeia do leite no Sebrae, Paula Ornellas Belo Fagnani, destacou que um dos principais focos do evento foi o trabalho coletivo, para fortalecer os micro e pequenos produtores paulistas. Segundo ela, esse tipo de encontro é importante, até porque São Paulo é o Estado que mais consome leite no País. “Apesar de ser o maior consumidor, o Estado ocupa apenas a quinta colocação no ranking de produtividade no Brasil. A gente está lutando para subir nesse ranking e resgatar a tradição leiteira de São Paulo”, frisou.
Paula salientou ainda que a escolha de Bauru para o encontro estadual foi facilitar a vinda de produtores de todo o Estado, já que a cidade está localizada numa região de fácil acesso. “Bauru foi escolhida para tentar retomar essa tradição leiteira e também por ter uma localização geográfica favorável no Estado”, explicou.
Ela destacou ainda que há algumas dificuldades no setor, a principal delas a adaptação à Instrução Normativa 51, de 2005, que trata da qualidade do leite. “A gente precisa também que mude a cultura de algumas indústrias, para que reconheça essa qualidade e pague esse diferencial pelo leite de qualidade”, destacou.
Fortalecimento
Segundo o gerente do Sebrae-SP em Bauru, Milton Debiase, a cadeia do leite é a que possui mais produtores envolvidos. Ele frisou que o Sebrae está preocupado em fortalecer essa cadeia porque o pequeno produtor precisa continuar gerando renda e empregos. “O que nós estamos fazendo aqui é fortalecê-los na questão do mercado, na gestão da propriedade, ou seja, questões de produtividade e mercadológicas para que ele possa melhorar a sua forma de trabalhar e incentivar cada vez mais o trabalho conjunto”, salientou.
O presidente do Sindicato Rural de Bauru e Região, Maurício Lima Verde, também destacou a importância do evento para Bauru e cidades próximas, mesmo o leite não sendo a principal cultura dos municípios da região. No entanto, Lima Verde aponta que o perfil está mudando muito, entrando várias culturas diferentes das tradicionais. “Com um evento desse porte você vai incentivar os produtores a olharem com carinho para a cultura do leite”, ressaltou.
Produtores presentes também destacaram o fortalecimento da produção como um dos principais focos do evento. Para o vice-presidente da Cooperativa Nacional Agro Industrial (Coonai), de Brodowski, Marcelo Avelar, o fortalecimento da cadeia é extremamente importante, sobretudo por conta das transformações pelas quais vem passando a pecuária leiteira nos últimos anos. “Ela vem reduzindo o número de produtores, mas aumentando o volume de leite produzido por produtor. Está havendo uma profissionalização, uma especialização muito grande dos produtores de forma geral”, disse.
Ele destacou que o encontro de ontem foi a quebra de barreira, uma iniciativa de quem está preocupado com a pecuária leiteira. “É a abertura de um caminho para que haja novos encontros e transferências de tecnologias de produtores”, frisou, lembrando que a Coonai existe desde 1941 e agrega 1.432 produtores, sendo 600 produtores de leite.