Os Tribunais Regionais Eleitorais e a Associação dos Magistrados Brasileiros entraram com pedido e recurso ao STF para barrar as candidaturas dos políticos processados com “ficha suja”. É mais que necessário, porque a maioria das pessoas vota mal, basta observar o câncer da corrupção, impunidade aos ricos, escândalos e roubalheira que assolam o país, em todos os níveis.
Pois o Supremo Tribunal Federal, em sessão longa e “solene”, com discursos pomposos, rejeitou a ação em nome da Constituição, das liberdades individuais e da “presunção de inocência”. Deu nojo! Imaginem o jogo de poder envolvido nisso.
Quantos políticos poderosos não teriam sua candidatura barrada! Apenas o Ministro Carlos Ayres Brito foi a favor da ação dos TRES e da AMB e fez um discurso memorável, falou que quando um homem ocupa um cargo público, o individual fica em segundo plano, pois o político representa o coletivo com o dinheiro público, e uma conduta ilibada é o mínimo que se espera dele. Falou que a Vida Pregressa do candidato tem que ser considerada, somada aos processos, julgados ou não.
Foi uma voz sozinha. O STF ignorou os anseios da coletividade. O Ministro Joaquim Barbosa aceitou a ação desde que o candidato tivesse sido condenado com 1ª e 2ª instâncias. Será que essa condenação para poderosos existe no Brasil? Em resumo, candidatos bandidos vão continuar se elegendo e o povo vai continuar mantendo esse sistema indecente.
E é esse Tribunal que, juntamente com toda a elite judiciária e federal, vai receber outro aumento exorbitante da Presidência da República, cerca de 40%, ou mais. É um troca-troca. Nunca se arrecadou nem se gastou tanto quanto neste governo, desde o número de ministérios, viagens pelo mundo, negociatas antiéticas, barganhas e aumentos para os já altos salários, cujo resultado é a formação de uma nova elite de ricos no país. Não se esperava isso de um governo (pseudo) socialista, que gastaria com bolsas-auxílio (que resolve um problema imediato, mas não tira efetivamente o pobre da pobreza), e que aumentaria o abismo entre pobres e ricos ao inchar a máquina pública (que funciona mal) e elevar, acima do ponderável, os salários federais. Com o dinheiro disso tudo, o governo federal podia estar resolvendo o gravíssimo problema do esgoto no Brasil todo.
Sem preconceito à pouca escolaridade e cultura do presidente - (inteligente ele é, mas isso não basta) - lembro a falta que faz aos homens públicos uma cultura mais ampla e de qualidade, baseada em literatura, música, teatro e cinema. Implementar um “desenvolvimento econômico acelerado”, atropelando valores éticos e a preservação ambiental, é carência de Sabedoria e razoabilidade. Agora, o Governo Federal vai transformar a Secretaria da Pesca em Ministério, ao custo anual de quase dois bilhões, para explorar mais ainda a pesca no país, criando-se mais 200 cargos públicos iniciais, ignorando os alertas científicos da exaustão dos mares e rios. E o deserto verde da cana? E a Amazônia? E..., E..., E...? Estamos cavando nossa própria sepultura.
Luís Henrique O’Connor - RG 16.455.453