Bairros

Velhos, mas ainda rodando

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 3 min

Nem mesmo a Circunscrição de Trânsito (Ciretran) de Bauru consegue informar o número de veículos com idade ‘avançada’ que ainda rodam na cidade. Mas eles são fato concreto e ultrapassam as centenas a rodar por aí pelas ruas da cidade, tanto na região central quanto nos bairros.

A frota de veículos hoje em Bauru já ultrapassa 170 mil veículos, segundo dados recentes da Ciretran, o que representa aproximadamente1% de todos os automóveis que circulam no Interior do Estado, cuja frota ultrapassa as 17,5 milhões de unidades, de acordo com dados do Departamento de Trânsito (Detran) São Paulo.

A Polícia Militar atribui ao aumento das fiscalizações a redução da frota de carros antigos com mínimas condições de rodar. Outro fator, para donos de oficinas e economistas, está na facilidade para comprar veículos novos e seminovos com prazo de até seis anos para pagar.

A documentação é, de acordo com sargento PM Silvio Carlos Rossi, que trabalha no trânsito de Bauru há quase 20 anos, o principal problema envolvendo os ‘velhinhos’. Isso porque os proprietários desses carros sabem que a multa pela falta ou o defeito em um equipamento pode sair caro de acordo com a lei.

“Mas antigamente, nos bloqueios, se algum veículos sem condições de uso fosse parado, era retirado imediatamente de circulação, hoje apenas em alguns casos essa medida é possível e apenas até a regularização do problema identificado”, pondera Rossi.

Se eles sumiram principalmente da área central de Bauru, nos bairros eles são facilmente encontrados. Em locais como no Parque Paulista e Bauru, jardins Prudência e Pousada da Esperança ou ainda pelas vilas Pacífico e Santa Clara, é possível encontrar exemplares raros de veículos fabricados nas décadas de 60, 70 e 80 rodando tranqüilamente pelas ruas.

São veículos como Opala, Fusca, Brasília, Corcel, Variant, entre tantos outros, que se misturam com veículos mais novos. Proprietários garantem que usam seus ‘velhinhos’ para tudo e ainda fazem viagens longas para outras cidade e Estados.

Todo carro fabricado há mais de 30 anos é considerado antigo, mas nem todos são listados como velhos, porque dependem de manutenção. É esse item, aliás, que os diferencia. Afinal, nas mãos de colecionadores, os veículos acabam se tornando belas raridades.

Odair Paschoal, que reside no Jardim Tangarás, tem um Fiat 147 que o leva para todo lugar na cidade. Ele conta que comprou o veículo há 14 anos e na época pagou Cr$ 370 mil (cruzeiros). “Trabalho com conserto de eletroeletrônicos e rodo a cidade inteira para ir buscar os aparelhos, recentemente viajei para o Paraná e para a Capital paulista com o meu carrinho”, afirma Paschoal, que faz questão de manter motor e a documentação em ordem, mesmo o carro não esteja uma beleza por fora.

Mário Camilo de Souza, comprou um Corcel I ano 76 há 12 anos. “Ele me leva aonde eu quero ir. Já fui ao Rio de Janeiro e recentemente viajei para o Espírito Santo”, afirma. Precisando de dinheiro para terminar a construção da casa, ele conta que o veículo, de documentação em ordem, está à venda. “Só vendo se alguém me pagar o que ele vale, quero R$ 2.300,00 pelo possante”, completa.

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