Polícia

Menina que fugiu de casa é abrigada

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

A bauruense de 14 anos que fugiu de casa com o padrasto na última terça-feira foi localizada na noite de anteontem, em Ibitinga. Ontem, a garota prestou depoimento à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), onde informou que há cerca de um ano mantinham um relacionamento amoroso com o padrasto de 37 anos. Foi requisitado laudo para comprovar se houve ou não relação sexual entre a menina e o auxiliar de produção. Enquanto o caso não é esclarecido, ela permanecerá em abrigo. Os nomes dos envolvidos estão sendo preservados para não identificar a garota.

De acordo com a delegada Luciana Claro Rodrigues, da DDM, na noite de anteontem a garota foi recolhida pelo Conselho Tutelar de Ibitinga. Ontem, a adolescente foi trazida para Bauru e, após ser ouvida na delegacia, foi encaminhada a uma entidade social. Informações dão conta que ela foi localizada após a Polícia Militar de Ibitinga ter reconhecido a motocicleta do padrasto.

A mãe da garota contou à reportagem que na terça-feira, o seu companheiro, com quem vivia há dois, a levou até seu trabalho. Na hora do almoço, ele não apareceu para buscá-la. Quando chegou em sua casa, sua filha de 10 anos contou que a adolescente tinha ido embora com o padrasto. Ela deixou uma carta, mas de acordo com a mãe, o bilhete tinha sido escrito no final do mês passado.

Segundo a conselheira tutelar Fernanda Vizini, a garota ficará abrigada até a resolução do caso. “Foi adotada a medida de proteção. Ela também será encaminhada a entidade que atende vítimas de violência”, conta. Vizini explica que a adolescente ainda receberá acompanhamento psicológico.

Durante à tarde, a garota e sua mãe, uma vendedora de 32 anos, foram ouvidas pela delegada. De acordo com Rodrigues, a menina contou que acompanhou o padastro por vontade própria, mas confirmou que o relacionamento começado quando ela ainda tinha 13 anos. “Ela vinha sendo abusada há cerca de um ano. Apesar de consentir, a vontade dela não é considerada pela lei por causa da idade”, explica a delegada.

Por isso, Rodrigues instaurou inquérito policial para averiguar os crimes de estupro e atentado violento ao pudor. “Há violência presumida. Há um ano, já havia as carícias”, relata. O resultado do laudo para a comprovação de conjunção carnal realizado na garota deve sair ainda hoje. Os outros três filhos da vendedora também serão ouvidos pela DDM. “Dependendo dos seus relatos, também podemos solicitar o laudo”, informa Rodrigues. A delegada adiantou que o padrasto deve ser ouvido ainda hoje na delegacia.

Na tarde de ontem, o padrasto foi até a casa da família, na Vila Lemos. Ele e a ex-companheira discutiram e acabaram trocando agressões. Segundo a vendedora, ele teria insultado a menina. Para a mãe, o auxiliar de produção seduziu a garota e a ameaçava. A agressão também foi registrada na DDM.

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Maus-tratos

O Conselho Tutelar de Bauru foi acionado na noite de anteontem para checar uma denúncia de abandono. A mãe teria deixado a filha de 12 anos sozinha em casa após uma discussão com o namorado. A Polícia Militar (PM) foi chamada por vizinhos e, ao constatar que a garota estava sozinha em casa, os policiais acionaram os conselheiros.

Porém, quando o conselho chegou ao local, um homem que se apresentou como amigo da família estava lá para cuidar da garota. De acordo com informações do conselho, a mãe saiu de casa e passou na residência de um casal de amigos para pedir que eles cuidassem da menina. Como a mulher não voltava, a garota foi abrigada. Ontem a menina foi liberada para sua mãe. O caso foi registrado como maus-tratos e a mãe foi advertida e recebeu orientações.

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