Os depoimentos do policial militar Halley Thiago Sossai - preso desde o final de julho por matar em Bauru o também policial Luís Gustavo Carreira - e de duas testemunhas elencadas pelo Ministério Público Militar, em São Paulo, demoraram cinco horas. A audiência teve início logo após as 15h30 de ontem e terminou por volta das 20h30. Durante a audiência, a defesa do policial pediu a liberdade provisória do réu, mas a solicitação foi indeferida. Sossai permanece preso no presídio Militar Romão Gomes, na Capital.
No início da semana, o promotor Delton Pastore denunciou Sossai por homicídio simples, que no Código Penal Militar prevê pena de seis a 20 anos de prisão. De acordo com informações da 4.ª Auditoria do Tribunal Militar do Estado de São Paulo, o processo e o julgamento do réu são feitos por um Conselho de Justiça, presidido pelo Juiz e composto também por quatro oficiais da Polícia Militar (PM).
Ontem, no plenário da 4.ªAuditoria, Sossai foi ouvido e questionado pela defesa, Promotoria e pelo Conselho. Em seguida, também passaram pelo mesmo rito duas testemunhas arroladas pelo Ministério Público. Foram ouvidas a noiva e uma amiga de Sossai que estavam com ele no momento do crime. No final dos depoimentos, a defesa do policial fez a solicitação da liberdade provisória de Sossai, mas após deliberação, o pedido foi indeferido.
Uma outra audiência foi marcada para o próximo dia 21, para ouvir duas outras testemunhas da acusação. O advogado Adilson Satorello, que representa a família de Carreira, teve permissão para atuar como assistente de acusação. Em entrevista ao Jornal da Cidade, ele afirmou que solicitou o depoimento de mais testemunhas que não tinham sido arroladas. “Num primeiro momento, o pedido foi negado. Mas futuramente, elas poderão ser requeridas novamente”, explica.
Ele também oficiou três solicitações, que foram aceitas. Entre os pedidos estão solicitação de cópias da cobertura televisiva do caso, documento que ateste a propriedade das armas envolvidas no crime e também a descrição da rotina de trabalho Sossai pelo ao Batalhão da PM de Piracicaba, onde atuava.
“Creio que os fatos estão bem esclarecidos, nos mesmos moldes já constantes desde o auto de prisão em flagrante, que justificaram a prisão e que devem ser concluídos com a condenação”, avalia. O Jornal da Cidade não conseguiu entrar em contato com a defesa de Sossai.
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O crime
O crime ocorreu em frente à casa de Luís Gustavo Carreira, na Vila Monlevade, em Bauru. Ambos são naturais da cidade, mas não trabalhavam no município. Sossai era lotado em Piracicaba e Carreira, em Lençóis Paulista. Os dois estavam de folga e à paisana no momento dos disparos.
Segundo a versão de Sossai, ele se deparou com o veículo dirigido perigosamente por Carreira na rodovia Marechal Rondon e foi orientado pelo Centro de Operações da PM (Copom) a acompanhá-lo, depois que o rapaz entrou na cidade.
Quando pararam os respectivos automóveis em frente à casa de Carreira, teria havido uma discussão e os disparos foram feitos. Carreira chegou a ser socorrido, mas não resistiu. Sossai alega que disparou em legítima defesa.