Um adolescente de 15 anos morreu afogado ontem em um poço de um afluente do córrego da Grama, na altura do Jardim Rosa Branca, em Bauru. A tragédia foi presenciada por um grupo de adolescentes e crianças que brincavam no local para se refrescar do calor que fazia durante a tarde.
De acordo com eles, Jefferson Melo do Nascimento, morador da Vila Industrial, não sabia nadar e, mesmo assim, tentou atravessar até a outra margem, onde a água chega a mais de quatro metros de profundidade. Até o final do dia, a família do adolescente ainda não havia feito reconhecimento do corpo no Instituto Médico Legal (IML).
Os amigos que observavam Jefferson nadar contam que, por volta das 17h de ontem, ele seguiu em direção à parte profunda do pequeno poço, a exemplo do que a colega Andreza Conceição dos Santos, 14 anos, acabara de fazer. “Depois que eu atravessei até o outro lado, ele veio atrás. Eu vi que ele estava se afogando, mas achei que era brincadeira. Pensei que ele sabia nadar”, contou a menina, que não conseguiu socorrer o colega, muito mais pesado do que ela. “Se eu ficasse lá, ia me afogar junto”, conclui.
Amedrontados desde que um garoto morreu no mesmo lugar, em 2006, os adolescentes que observavam a brincadeira à beira do córrego não tiveram coragem de pular no poço para ajudar Jefferson. Acionados, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros chegaram rapidamente, mas já não havia nada que pudesse ser feito para salvar a vida do menino. Algumas horas depois, a Polícia Científica compareceu ao local. No início da noite, o corpo foi encaminhado ao IML.
A reportagem entrou em contato com a escola estadual Stela Machado, na Vila Falcão, onde a vítima estava matriculada. Conforme revelou uma funcionária, a família já havia sido informada da morte do garoto. Ela também contou que Jefferson havia sido transferido para o colégio recentemente, vindo de uma escola de Torrinha, a 90 quilômetros de Bauru.
Segundo os bombeiros, à primeira vista, o pequeno poço em que Jefferson morreu não oferece perigo. No entanto, por ser uma erosão e ter profundidade variável de quatro a sete metros, pode se transformar em uma armadilha.
Em 2006, Igor Rodrigo Bruno de Souza, 14 anos, morreu no mesmo local, ao pular na água para socorrer o irmão mais novo, que estava se afogando. Os dois não sabiam nadar, mas o caçula foi salvo.
“Infelizmente, enquanto existir esse poço, as crianças continuarão a nadar. A solução seria encher o fundo com pedras e deixar só 30 centímetros de água”, aponta o primeiro tenente do Corpo de Bombeiros, Gilmar Sanches.