Embora eu já tenha passado dos 40, ainda lembro como se fosse ontem de uma aula dada pela minha professora do então jardim da infância, que daquele dia em diante mudou todo o destino da minha vida. Certo dia, ela apareceu com uma caixa enorme que dizia ser uma “vitrola”, colocou um disco de músicas instrumentais e fez uma orquestra com seus alunos. Como não tínhamos os instrumentos, cada um imitava seu instrumento fazendo mímicas.
Todos os alunos imitavam apenas um, e eu trocava de instrumento a cada novo trecho musical. Naquele momento, a professora chamou seus colegas e também o diretor para assistirem a apresentação dos mímicos. Foi assim que descobri o que era uma platéia. Este fato despertou em mim uma paixão enorme por música, instrumentos, aparelhos de som. E chegando em casa, sem nunca ter tido um contato prolongado com instrumentos musicais, peguei vários copos e, colocando água, já afinei-os num formato de “escala-maior” (do-ré-mi-fa-sol-la-si) e fui tocando naqueles copos tudo que vinha na cabeça e os familiares ao redor não acreditavam no que viam.
Imediatamente, passei a freqüentar aulas de piano com a tia Cecilia e depois conservatório e bandas etc. Acabei por “mergulhar de cabeça” na profissão e hoje, modéstia “às favas”, presto uma dúzia de serviços todos na área da música. Por um lapso do destino, nunca mais tive notícias da minha querida professora do jardim da infância para contar-lhe essa história, e como foi importante para mim o primeiro contato com a música.
Isso aconteceu em 1972, em Agudos, na escola Cel. Leite. E minha professora, que guardo tantas saudades é a dona Doraci Guerreiro. Um grande beijo no coração, dona Doraci.
Jeronymo Bigarelli Neto - RG 16.156.691