Bairros

É inverno, mas de calor e ar seco

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Embora algumas frentes frias permitam o desfile de casacos pelas ruas de Bauru, o inverno por aqui é época de suar, passar calor. Apesar de ainda surpreendentes, as altas temperaturas e o clima seco nesse período são normais. Mas para quem não gosta de calor, a situação é realmente pior no verão. Não em razão dos vários graus marcados pelos termômetros. A culpa pelo desconforto, quem diria, é da umidade.

Por conta dela, as nuvens estão sempre presentes no céu e garantem noites “infernais”, caso não haja em casa alento com ar-condicionado e ventiladores. Elas seguram parte da radiação que voltaria ao espaço. Com o céu limpo, comum nesta época do ano, o calor se dispersa mais rápido.

“A diferença do inverno para o verão é que no inverno, se você olhar para o céu, não acha uma nuvem. Quando o sol vai embora, a radiação enviada durante o dia todo volta ao espaço. Como não tem nuvem, ela rapidamente vai embora, esfria mais rápido. De maneira que, lá pelas 21 horas, está tudo fresquinho”, explica José Carlos Figueiredo, meteorologista do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

De acordo com ele, se ontem as nuvens predominassem, os 29,6 graus, temperatura máxima do dia, perdurariam por mais tempo. Cerca de uma hora após o IPMet registrá-los, os termômetros já marcavam queda de um grau. Ainda assim, quem passou a terça-feira na rua sofreu.

A umidade relativa do ar chegou a 25,5%, percentual que coloca a cidade em estado de atenção, conforme o Centro de Pesquisas Meteorológicas Aplicadas à Agricultura da Universidade de Campinas (Unicamp). De acordo com o órgão, a situação foi pior anteontem, quando chegou a 14% (estado de alerta) e a temperatura máxima, 31 graus. O calor é tão comum nesta época do ano que, em 2005, chegou a fazer 34 graus, por exemplo.

Comércio

Graças a temperaturas neste padrão, sorveterias, vendedores de água de coco e garapa, além de bares com mesas em calçadas, mantêm a freguesia inclusive no inverno. Os picos de calor equilibram o orçamento, afetado pelos dias de frio, explica o gerente de uma sorveteria consultada pelo JC, Viterbo Neto.

“Como o pessoal ficou um tempo sem tomar sorvete, veio tudo de uma vez. Acho que ficam com saudade”, comenta. Não é o caso do funcionário público aposentado Salvador Ferreira. Mesmo em menor quantidade, ele mantém o hábito de consumi-lo ainda que em dias mais frios. “O inverno de Bauru tem umas quatro ou cinco noites frias, só. Depois, a temperatura baixa um pouco à noite, mas dá para tomar sorvete. No inverno, faço caminhadas, jogo tênis, futebol. A chuva influencia mais”, diz.

Já na Capital paulista, a variação climática é mais intensa. Neste caso, quando o calor está forte, difícil atender tantos clientes ávidos por uma garapa, conta o vendedor João do Nascimento. “Aqui já é mais tranqüilo”, comenta, após atender Deivison Belusso, 4 anos. “Bauru não tem inverno”, acrescenta a mãe dele, Cleuza Medrado, oriunda do Paraná.

De fato. Ontem as estudantes Isabella Desan Merli, Marcella Desan Merli e Letícia Desan de Goes desfrutavam a tarde como num dia de verão. Reunidas num barzinho, tomavam açaí. “Em dias quentes a gente sai bem mais”, afirma Letícia.

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Sem alento

Aprender a conviver com o calor é a única saída imediata. Hoje haverá predomínio de sol em todo o Estado, segundo as previsões do IPMet. As temperaturas estarão estáveis e a umidade relativa, baixa. A previsão é a mesma até sábado. Para evitar problemas respiratórios, o ideal é umidificar o ambiente por meio de toalhas molhadas e irrigação de jardins, por exemplo.

De preferência, permanecer em locais protegidos do sol. Portanto, suprimir exercícios físicos e trabalhos ao ar livre das 10h às 16h. Especialistas da área de saúde ainda indicam o uso de soro fisiológico para olhos e narinas.

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