O mundo de hoje nos traz muitas angústias, incertezas, dúvidas, etc.A estabilidade e a certeza do futuro de antes já não fazem mais parte as nossas vidas. Esse é o cenário perfeito para o surgimento das mais diversas promessas de prosperidade, geralmente sempre negando a vida atual e remetendo a um ideal que deve ser alcançado. Entretanto, mesmo nos dispondo a ouvir essas propostas, parece que nossos problemas continuam a nos atormentar. Este é o momento de colocarmos em xeque as nossas crenças; mas quem está realmente disposto a isso?
Desde o começo dos tempos, na Grécia antiga, o homem se indagava sobre o universo e a vida. Algumas das primeiras teorias concebiam este mundo como sendo um estágio inferior e, no além-vida, seria alcançada a plenitude e a salvação. Mais tarde, vai surgir o Cristianismo, oferecendo a salvação através da ressureição, em um paraíso extra-terreno; ou seja, uma realidade transcendental.
Mais tarde, durante o Iluminismo, os pensadores vão inverter a lógica. Não será mais o homem que estará subordinado ao cosmos, mas sim ele que será o senhor do universo. O humanismo inaugura esse pensamento, tirando a autoridade de Deus e nos responsabilizando totalmente pela nossa vida e morte. O interessante é que nesse período haverá também uma sacralização, mas dos próprios ideais humanistas, pelos quais será permitido até abrir mão de sua própria vida.
É Nietzsche que vai quebrar esse paradigma, no século XIX, propondo a descontrução de todos os ídolos. Percebemos que tanto em relação ao cosmos quanto em relação as causas humanistas, há a idealização de um ser místico ou uma ideologia a serem alcançados que justifica o sofrimento e as dificuldades. Em nome delas podemos abdicar de nossa vidas e instintos. Nietzsche, nesse contexto, vai se apresentar como um filósofo que afirma a vida terrena, propondo a morte de Deus e dos ídolos.
Seu caminho para a “salvação” se dará a partir da teoria que ele chamou de Eterno Retorno, que propõe que a vida é circuluar e não linear, e que o que fazemos hoje influenciará nossa vida para sempre, pois os atos sempre se repetirão. Assim sendo, ele propõe que vivamos a vida de tal modo que tenhamos a consciência de que o que escolhemos se repetirá pela eternidade. Ou seja, realmente se entregar ao presente, pois o futuro e o passado giram em volta dele. Sem Deus para nos proteger e sem as ideologias para nos orientarem, cabe a nós decidirmos o que queremos.
Acredito que muitas das nossas crises em relação à existência se dão por não termos a capacidade de saber realmente o que queremos, deixando tudo na mão de Deus ou de alguma causa pela qual nos entregamos. Devemos ter a consciência de que a única coisa que vale a pena se dar e à nossa vida e a partir daí, assumindo nossa responsabilidade sobre a liberdade conquistada, transformarmos a nós mesmos e a realidade, não apenas nos comportando no mundo, mas agindo!
Marco Antônio Planas Júnior