Cultura

Vamos beber Elza

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

Diva da música brasileira eleita a maior cantora do milênio pela BBC de Londres, Elza Soares retorna a Bauru, na noite de hoje, com a turnê “Beba-Me”, baseada em seu primeiro DVD, gravado ao vivo no ano passado - quando ela ainda se recuperava de uma cirurgia - e lançado neste ano. O show será no ginásio do Serviço Social do Comércio (Sesc) e ainda há ingressosdisponíveis.

De acordo com a assessoria de comunicação, a última apresentação da cantora carioca na cidade foi em abril de 1999, quando Elza viajava com um show apenas de clássicos de grandes compositores, como Noel Rosa, Paulinho da Viola, Chico Buarque e Cartola. Desde então, ela lançou o elogiadíssimo álbum “Do Cóccix até o Pescoço”, que foi seu reencontro com a MPB atual, além do universo do samba ao qual, normalmente, ela é conectada.

No DVD “Beba-Me”, Elza regravou “Dura na Queda” (Chico Buarque), “A Carne” (Marcelo Yuka, Seu Jorge e Marcelo Capelleti) e “Fadas” (Luiz Melodia), desse CD de 2002. De “Vivo Feliz”, de 2004 (no qual misturou samba e bossa com elementos eletrônicos), ela recuperou suas interpretações para “Volta por Cima” (Paulo Vanzolini) e “Lata D’Água” (Luiz Antônio e Jota Jr.). Uma pena que a dançante “Rio de Janeiro” tenha ficado de fora.

Nos shows da atual turnê, assim como no DVD, Elza segue seu mergulho no trabalho de grandes compositores que ela já havia gravado em sua extensa carreira: Chico Buarque - “Meu Guri”, na abertura “a capela” de arrepiar -, Billy Blanco (“Estatuto da Gafieira”), Lupicínio Rodrigues (“Se Acaso Você Chegasse”, com Felisberto Martins), José Miguel Wisnik (em uma emocionante interpretação ao piano de “Flores Horizontais”), entre outros.

“Se Acaso Você Chegasse”, gravada em 1960, pela Odeon, foi a canção que apresentou Elza Soares ao Brasil. Na ocasião, a carioca já brincava com a versatilidade de sua voz e introduziu um scat de jazz “a la Louis Armstrong” nesse samba. Anos depois, o próprio ídolo Louis Armstrong se referiria a Elza como “minha filha”.

E quem já viu João Gilberto cantando “Pra Que Discutir com Madame?” (Janet de Almeida e Haroldo Barbosa), vai se surpreender e se divertir ao assistir Elza mostrar sua interpretação desse samba. Outro samba mais conhecido do público, “Beija-Me” (Roberto Martins e Mário Rossi), é um dos destaques da apresentação. Na voz de Elza, acabou virando “Beba-Me” e deu título ao show.

“‘Beba-Me’ foi para as pessoas embriagarem-se de Elza. Aconteceu numa fase muito boa porque agora ninguém pode beber e dirigir. Então, bebam Elza”, afirma a cantora em entrevista a Fernanda Young, que vai ao ar neste domingo, no canal GNT.

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‘Quem é esta moça?’

Para os fãs, foi um deleite ver Elza Soares em “Chega de Saudade”, filme de Laís Bodanzky que ficou semanas em cartaz em Bauru. A diva interpreta uma cantora de bailes da saudade e passa o filme no palco, interpretando clássicos dos salões. Quando a câmera a foca em close, nos versos iniciais de “Não Deixe o Samba Morrer”, é difícil não se arrepiar. Não custa torcer para que ela repita a homenagem no Sesc, hoje à noite.

“Comecei minha carreira nos salões de baile, cantando como crooner. O crooner, nos anos 50 e 60, era uma preparação para ser cantor. Primeiro tinha de passar por isso, entende? Porque ali era um teste. Se as pessoas gostassem, dançavam. Se não gostassem, ficavam paradas tomando cuba libre ou cerveja, sem dar bola para quem estivesse no palco”, conta Elza, no site oficial do filme.

“Quanto à idade, quem é esta moça? Não a conheço. O tempo, quando cheguei, já estava lá. Quando eu sair, vai estar aqui. Eu bato palma pra ele e ele conjuga o verbo comigo”, completa a diva.

Para a diretora Laís Bodanzky e seu marido e roteirista de “Chega de Saudade”, Luís Bolognesi, foi um sonho realizado ter Elza Soares no filme. “Elza é totalmente ‘Chega de Saudade’. Ela conta da música ‘Lama’, que foi a primeira que ela cantou, no programa do Ary Barroso. Mas ela começa a contar e foge desse clima de nostalgia, faz questão de falar que o tempo é cruel e não dá menor espaço a ele. A vida dela é o aqui-agora. Ela tem a lembrança mas não faz isso virar um déficit. Ela é um pique, aquela musculatura de pernas, de costas. Ela é uma deusa”, elogiou Bolognesi, na época do lançamento do filme.

Deusa, única, sensual, dona de uma das vozes mais marcantes da música. Essa é Elza. E ainda dá a receita: “Digo para todo mundo: ria sempre, muito e alto. Ria até perder o fôlego. Viva o presente com paixão, que com certeza você será mais feliz e saudável”, finaliza a diva, em entrevista divulgada por sua assessoria.

• Serviço

Sesc apresenta Elza Soares hoje, a partir das 21h, no ginásio de eventos. Ingressos: R$5,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculados e dependentes), R$10,00 (usuário inscrito, estudantes com comprovante, professores da rede pública e maiores de 60 anos) e R$15,00 (demais interessados). O Sesc fica na avenida Aureliano Cardia, 6-71. Mais informações pelo telefone (14) 3235-1751.

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