Bairros

Ipês em flor mudam paisagem da cidade

Por Ieda Rodrigues | Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 4 min

Ainda falta um mês para o início da primavera, mas a florada dos ipês já mudou a paisagem de Bauru. Primeiro floriram os ipês de cor branca, depois os roxos e agora os amarelos começam a desabrochar, dando mais vida a praças, avenidas e jardins. Como num passe de mágica, de caules com aparência de seco, surgem as flores que encantam pela beleza.

E é essa “mágica”, de um dia a árvore parecer seca, em outro estar florida e em pouco tempo todas as flores caírem, que torna o ipê uma planta especial, comenta a artista plástica Viviane Mendes, que mora na alameda Octávio Pinheiro Brizolla, uma das vias da cidade que estão floridas.

“Quando eu era criança, perto de casa havia um ipê branco. E para mim a florada era uma mágica porque eu não conseguia entender como uma árvore sem folhas, de um dia para outro, já estava florida, linda”, lembra ela. “Como sou uma pessoa meio desligada, até hoje os ipês de frente de casa me surpreendem quando as flores surgem”, completa.

Já o aposentado Luiz Tadeu Machado, morador do Jardim Petrópolis, espera a florada de um ipê em especial. “O ipê roxo que meu pai, que era jardineiro, plantou na Praça dos Expedicionários (no Jardim Bela Vista) em 1968 está um espetáculo”, afirma, orgulhoso da herança deixada por Arnaldo de Paula Machado. “Ele era apaixonado pela natureza e plantou muitas árvores, mas este ipê é especial. Toda vez que passo pela praça, mesmo quando não tem flor, lembro do meu pai”.

Também acompanha a florada dos ipês todos os anos o soldado Fábio Henrique, que tem o privilégio de trabalhar ao lado de um bosque da planta da espécie amarela. São centenas de árvores às margens da rodovia Marechal Rondon, perto da Base de Policiamento Rodoviário de Agudos. “Eu tiro muitas fotos. O descanso de tela do meu computador é a foto de um ipê. Neste ano, tirei a foto de três ipês roxos ao lado de tantos amarelos. São lindos”, completou.

Por muito tempo, o ipê foi considerado a árvore nacional brasileira. Contudo, no dia 7 de dezembro de 1978, a lei nº 6507 declarou o pau-brasil a árvore nacional e, a flor do ipê, a flor do símbolo nacional, esclarece a enciclopédia livre Wikipedia. Ipê, que em tupi-guarani significa “árvore de casca grossa”, é apreciado pela qualidade de sua madeira, além de servir para fins ornamentais e decorativos. A árvore do ipê é alta, podendo chegar até 30 metros (na cidade, em locais abertos chega a cerca de 10 a 15 metros), bem copada e na época de floração perde totalmente as folhas para dar lugar às flores das mais variadas cores (brancas, amarelas roxas ou rosa) com belas manchas coloridas.

É uma árvore originária do cerrado, não precisando de muita água, apenas no começo. É uma das árvores homologadas para plantio pelo fato de possuir raiz pivotante (para baixo), sem quebrar a calçada. Recomenda-se o plantio onde haja bastante espaço para cima. Floresce no período de julho a setembro e frutifica de setembro a outubro.

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Variedades

Apesar do tempo que ainda falta para o início da primavera, o florescimento dos ipês nesta época do ano é normal. De acordo com Dorival José Coral, professor do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade do Sagrado Coração (USC) e curador do herbário da universidade, esse florescimento é um processo fisiológico da planta.

“Em geral a ordem de floração é essa, primeiro os ipês brancos, depois os roxos e por último os amarelos. Elas florescem nessa época como forma de facilitar a dispersão da espécie, porque as sementes serão liberadas daqui um mês, mais ou menos, e no início do verão essas sementes estariam aptas para germinar e formar novas mudas e novas espécies”, explica.

No entanto, como a probabilidade de germinação da semente é pequena, o ipê produz muitas sementes. As flores do ipê amarelo têm uma durabilidade maior, sendo que os frutos e a quantidade de sementes são maiores. Já o ipê branco tem menor durabilidade de flor, ou seja, fica florido, no máximo, por três dias. Neste caso as flores são menores e mais delicadas, por isso a durabilidade é menor. Já o roxo fica no meio termo. “E existem os cruzamentos de espécies. Algumas parecem ipê branco, mas se olhar bem a flor, a base é rosa. Naturalmente essas espécies já se cruzam, formando espécies meio híbridas entre branco e rosa”, frisa.

De acordo com a professora Regina Maria Castilho, da Unesp de Ilha Solteira, as plantas e os animais respondem a estímulos ambientais, tais como a seca, o frio, o calor, o comprimento do dia. Esses fatores em conjunto podem ocasionar florescimento em determinadas plantas, como nos ipês.

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