Para a estudante Priscila Andrade da Silva, 20 anos, ‘não’ é uma palavra que parece não existir. “Se tento fazer algo que parece difícil demais, luto até conseguir que a coisa saia do jeito que eu quero”, afirma.
Ela nasceu com fissura labiopalatal e sem um dos braços. “Comecei a fazer tratamento no Centrinho (Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo), quando tinha duas semanas de vida”, conta Priscila, que mora em Castilho, região de Araçatuba.
Sempre participou das brincadeiras com as demais crianças e aprendeu a andar de bicicleta quando tinha 7 anos de idade. “Minha mãe vivia dizendo: ‘Cuidado, você vai cair’. Eu respondia: ‘Se eu cair, é só me levantar’”, diz Priscila, que até hoje costuma passear com a “magrela” pelas ruas de Castilho.
“Minha mãe ainda morre de medo de que eu me machuque”, afirma Priscila. A garota jamais utilizou prótese ortopédica, pois julga o acessório desnecessário. “Nunca senti falta”, garante. Entre os passatempos preferidos da garota estão artesanato e a natação.
Priscila aprendeu a bordar em ponto-cruz com uma prima, quando tinha apenas 12 anos de idade. “Ela me ensinou o básico e, com o passar do tempo, acabei pegando o jeito”, conta. Para realizar bordados em ponto-cruz, a garota costuma segurar a agulha com a mão (esquerda), enquanto o tecido é mantido apoiado em uma das pernas.
Já para realizar trabalhos de fuxico (técnica artesanal que utiliza retalhos de pano para criar ou customizar roupas, acessórios e objetos), ela prefere segurar o tecido com as mãos, ao passo que a agulha é colocada entre os dedos dos pés.
Vaidosa, como qualquer garota da sua idade, Priscila costuma fazer as unhas sem precisar da ajuda de ninguém. “Para tirar a cutícula, eu apoio o alicate no rosto e corto o excesso de pele ao redor da unha. Já para pintar a mão, eu uso os pés”, diz ela.
Priscila faz educação física nas Faculdade Integradas Stella Maris, em Andradina, e está no 3.º ano de curso. “No começo, pessoas estranhavam o fato de eu ter escolhido essa carreira, que exige muito do corpo. Talvez elas pensassem dessa forma porque não me conheciam direito e não faziam idéia da minha capacidade”, acredita a jovem, que sonha em ter uma academia depois de se formar.