Tribuna do Leitor

Olimpíadas X (Olim)piadas


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O Brasil está triste, pois a nossa classificação no quadro de medalhas é desanimadora. Será mesmo desanimador ou é o resultado de alguns dos fatores que podemos analisar isoladamente, mas que são partes de um imenso quebra-cabeças? Quantos desses atletas precisaram sair do Brasil, custeados pelos pais, pelo esforço próprio, ou por algum patrocinador, para se prepararem, ao invés de correrem pelas nossas estradas de terra, ou entre os canaviais? Quantos desses nossos representantes ainda moram ou vivem no Brasil? Potencialmente, são tão fortes que muitos já estão desde o início de sua adolescência, contratados por outros países, recebendo o apoio inexistente nesta terra. Como pensar em sediar uma Olimpíada, se nos esportes principais temos baixa auto-estima ou preparação? Como quantificar o prejuízo nacional, com as transmissões (lógico devido ao fuso horário) em horário de trabalho e as discussões que se seguem? Como entender que nas olimpíadas estudantis nossos estudantes estão abaixo da 50.ª posição, disputando com outros 57 países (fonte: revista Veja desta semana)?

Como os professores estão se preparando para os estudantes que exercem multitarefas simultaneamente (Fonte: revista Veja da semana passada)? O que podemos pensar sobre as pesquisas mostrando que nossas crianças (entre 8 e 17 anos) assistem a três horas e cinquenta e sete minutos de televisão diariamente (fonte: Ibope 1997)? Será que em 11 anos mudou significantemente essa relação? Como entender que a USP, a maior universidade pública do país, dentro do estado mais rico, ocupa a 113ª dentre as 200 mais bem posicionadas do mundo (fonte: Folha de São Paulo, 2/8/2008)? Como entender que no Brasil ainda se fale em dengue (Desafio: quem foi mesmo que descobriu a solução dessa epidemia? Foi um brasileiro?), falta de saneamento básico, canaviais queimados (e a tecnologia avançada do carro a álcool), bem como de número de dentes cariados numa mesma pessoa, possuindo tantas faculdades de odontologia?

Como o brasileiro encara as campanhas sobre prevenções? Como parar essa idéia do levar vantagem em tudo se a internet apresenta maneiras de tentar driblar o bafômetro? Como acreditar que um policial com baixo salário suportará uma “cantada” para ficar com a mesma quantia da multa, mas não lavrá-la, que ainda sairá no lucro para o infrator? Como acreditar que as intenções são boas se vemos nomes esdrúxulos brincando de candidatos a representantes do povo junto às prefeituras? Num país que teve um rinoceronte chamado Cacareco como um dos políticos mais votados, numa época em que a eleição era realizada em cédulas de papel? Pergunte a qualquer dos profissionais com os quais você se relaciona qual foi o último curso que freqüentou, ou que livro leu? Continua valendo a frase: “a palavra resultado só aparece à frente da palavra trabalho, no dicionário da língua portuguesa”.

É mesmo triste ler a coluna do “Macaco Simão” chamando o Brasil de terra da piada pronta. Todos os grandes crimes têm no seu início um forte apelo emocional, com ampla discussão sobre aplicações de penalidades, mas que cai no esquecimento, até um outro de maior repercussão, ativar essa questão. Nessa mesma linha de raciocínio me pergunto: será que depois desses resultados olímpicos não surgirá um novo imposto, para criar condições de uma Bolsa Olimpíada? Não está na hora de mudarmos isso? Que cada um assuma a sua responsabilidade em preparar o mundo para os nossos sucessores.

Arnaldo Pinzan - diretor social do Lions Clube de Bauru Centro

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