Diz um velho adágio: "É mais fácil encontrar uma pérola dentro de uma concha, no fundo do mar, do que amizade sincera no coração humano". Fomos colegas de escola (curso primário) em Santos (SP), nos anos 50. Tinha respeitável Q.I. Adorava presepadas. Um dia, na escola, guarda-chuva aberto, atirou-se do piso superior indo cair num monte de areia para construção. Um rebu ímpar eclodiu na escola.
Praticávamos datilografia na “Escola Remington”, na Praça Mauá. Na mesma praça ficava a biblioteca municipal. Éramos ratos de biblioteca. Gostávamos de todos os gêneros, mas o que nos fascinava eram os romances policiais. Sherlock Holmes nos seduzia pela sagacidade com que solucionava os mais enigmáticos crimes.
Vivíamos como dois irmãos. Um sabia da vida do outro, em detalhes. Em 1/8/1959 vim morar, estudar e trabalhar em Bauru. Como tinha todos os meus parentes do lado materno em Santos, mantive meu vínculo de amizade com ele, em visitas intermitentes. Anos depois ele se casa. O casamento gera quatro filhos. Mas por incompatibilidade de temperamento ele se desfaz. Por uns tempos meu amigo toma chá de sumiço. Vou reencontrá-lo no Guarujá, já casado novamente e com um filho. Encontrou alguém que o fez profundamente feliz, realizado.
Há alguns anos atrás o suicídio de sua filha (do primeiro casamento) parece ter agravado seu estado de saúde, aumentando o diabetes e hipertensão arterial. Fazia sessões de hemodiálise. Em 12/1/2008 foi chamado pelo Criador, vítima de infarto do miocárdio, aos 67 anos. Até breve, Gilberto Anastácio Nogueira, o melhor e maior amigo que já tive nesta vida...
Gilberto Sidney Vieira - RG 3.476.358-2