Cultura

Um gramado de improvisações

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 3 min

De um lado, palhaços-atletas. Do outro, o público-torcida. Juntos, artistas e espectadores, são os responsáveis por construir “Jogando no Quintal”, um espetáculo que tem por princípio básico a improvisação. Com as tarefas anunciadas ali, em cima do “gramado”, os jogadores disputam o título de melhores no improviso. Esse campeonato de brincadeiras está marcado para sexta-feira, às 21h, no Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves.

Como em um jogo de futebol, com direito a hinos, bandeiras e placar, a participação do torcedor é fundamental. Os jogadores, ao invés da bola, disputam os temas escolhidos pela platéia, a partir dos quais os palhaços improvisam cenas em um tempo determinado pelo árbitro. “Mais do que interativo, o público age como co-autor do espetáculo”, explica César Gouvea, um dos idealizadores do projeto, sobre a atuação da torcida que, além de ditar as tarefas, vota na melhor interpretação.

Como a base de todo o espetáculo é o improviso, cada apresentação acaba por ser diferente e única. “Cada apresentação é feita para aquele público, naquele dia. Um espetáculo que nunca vai se repetir”, considera Rhena de Faria, uma das integrantes do grupo.

E os tantos “elementos surpresa” não são exclusividade da platéia. Como os palhaços-improvisadores não têm tempo de preparar o que vão fazer, eles partem para a ação e deixam surgir as idéias, que surpreendem até mesmo os próprios atores. “Até em qual time iremos jogar é sorteado na hora. Em toda apresentação, eu sinto o mesmo frio da barriga da estréia, porque não sabemos o que o público vai pedir. É sempre um grande desafio”, completa a artista.

No total, seis palhaços-atletas, divididos em dois times, realizam as tarefas, que vão desde compor uma música, criar uma propaganda a partir de um objeto até uma improvisação em apenas dez segundos. Além deles, uma banda de quatro músicos, que cria sons e melodias ao vivo, compõe o espetáculo, que tem duas horas de duração.

Já o juiz é o responsável por fazer a ponte entre os jogadores e a torcida. “O árbitro é como um mestre de cerimônia, o grande apresentador do cenário e é quem conduz as disputas”, explica Rhena.

“Para o público é muito curioso assistir um espetáculo no qual tudo é revelado. A intenção é recuperar o jogo teatral no seu sentido mais literal”, finaliza Gouvea.

• Serviço

“Jogando no Quintal” sexta-feira, às 21h no Teatro Municipal (avenida Nações Unidas, 8-9). Ingressos à venda no local e na loja Pedágio a R$ 30,00 (inteira); R$15,00 (meia-entrada) e R$20,00 (com cupom-bônus do Jornal da Cidade). Mais informações pelo telefone (14) 3235-1072.

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Primeiro tempo

Tudo começou há sete anos, quando os atores e amigos César Gouvea e Marcio Ballas decidiram desenvolver no quintal da casa de César, na rua Cotoxó (SP), um treinamento que unisse suas duas paixões: palhaço e improviso.

“Sentia a necessidade de fazer algo diferente e desejava transformar a minha casa em um espaço cênico. Junto à isso, Marcio tinha acabado de voltar da Europa onde havia visto um jogo de improvisação. Do encontro de tudo isso com a nossa paixão pelo palhaço, nasceu ‘Jogando no Quintal’”, conta Gouvea.

Foi um ano e meio dedicados à pesquisa dessas duas linguagens e aos treinamentos para a concepção do jogo, divididos com os outros palhaços que se juntaram à dupla. E o que parece acontecer naturalmente no palco é, na verdade, fruto de um intenso trabalho de preparação dos atores, que inclui treinamento semanal e o estudo constante das mais variadas linguagens. “Cada final de apresentação, é o princípio de um novo treinamento. Quanto mais estudamos, mais sentíamos a necessidade de treinar”, explica o artista.

Segundo material de divulgação, o “Jogando no Quintal”, que está em cartaz em São Paulo há seis anos, já foi assistido por mais de 130 mil pessoas. O grupo também possui espetáculos solos, duos e trios, como parte de seu repertório e edita a revista “A Chuteira”, uma publicação sobre palhaços e improvisação.

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