Embora proibida na maior parte das igrejas, a campanha política é livre fora dos templos. “Fora da igreja não temos como impedir, mas dentro do templo não permitimos e não recomendamos voto em nenhum candidato, nem mesmo se for membro da igreja”, declara Eliseu Gardin, presidente da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, em Bauru. Segundo ele, os freqüentadores da igreja são livres para votar em quem avaliarem ser o melhor candidato.
O posicionamento de não indicar candidato é seguido também pela União das Sociedades Espíritas (USE) de Bauru, mesmo que o candidato seja espírita. O presidente da entidade, Edgar Miguel, diz que não se deve misturar o trabalho dos centros, incluindo o de caridade, com política.
O assunto foi tema do boletim informativo deste mês da USE e será no de setembro também. A diretoria deixa clara a pretensão de não apoiar nenhum candidato, embora apoie a existência de espíritas candidatos.
“Entendemos que o espírita precisa se libertar da idéia de que ele não deve se envolver com a política, pois esse pensamento é fruto da desinformação e do preconceito”, diz o boletim. O texto segue dizendo que se o espiritismo for considerado apenas sob o aspecto filosófico, há uma imensa relação com a política, “já que essa deve ser a arte de administrar a sociedade de forma justa”.
Mesmo tendo candidatos dentro do espiritismo para a eleição municipal deste ano, a diretoria da USE pondera que é possível que haja um determinado católico candidato ou evangélico candidato que esteja melhor qualificado ao cargo político.
Para os espíritas, a designação religiosa, por si só, não traz qualquer tipo de garantia sobre a competência, ética ou conduta do candidato. O critério para a escolha, de acordo com a diretoria, deve levar em consideração o perfil do candidato para o cargo pretendido. Para a USE, é preciso ter competência técnica para a função, coerência de conduta, disposição ao diálogo, dignidade, responsabilidade e respeito às expectativas dos eleitores, entre outros atributos.