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Tarefas se multiplicam no dia-a-dia

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Mulheres que trabalham não estariam sujeitas a apenas duas jornadas diárias, mas sim a muitas outras mais, afirmam os estudiosos que lidam com a questão.

“Costumo dizer que as mulheres trabalhadoras têm muito mais que duas jornadas diárias: a do emprego propriamente dito; a da educação dos filhos; a da dedicação ao marido; a da economia doméstica (supermercado, feira, roupas); a da atenção aos pais e dependentes idosos. Agora, eu pergunto: quando sobra um tempo para elas próprias? Se até o descanso físico básico (dormir oito horas por noite, por exemplo) fica comprometido, que dirá arrumar um momento para atividades físicas, leitura, uma massagem relaxante”, afirma a ginecologista bauruense Carla Ribeiro Lambertini.

A historiadora e pesquisadora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Assis Lilian Henrique Azevedo lembra que, no mundo ocidental, os afazeres domésticos foram socialmente designados como sendo uma obrigação feminina.

“Dentro deste contexto em que vivemos, o homem que realiza um trabalho doméstico encara como se estivesse prestando uma mera ajuda à companheira”, diz ela. Por outro lado, a entrada da mulher no mercado seria ainda vista como uma espécie de tomada de lugar do “macho”.

“Isso era bastante claro no Brasil no começo do século 20. As grandes críticas que os operários grevistas faziam às colegas de trabalho fundamentavam-se no fato delas ganharem menos - o que servia para rebaixar o salário da categoria - e de serem pouco engajadas nos movimentos políticos. Isso era até fácil de ser explicado, já que, durante séculos, as mulheres se encontraram restritas ao espaço da casa e quase não tinham chance de participar ativamente da vida pública”, salienta.

Na visão da historiadora, o sistema capitalista soube usar a tradição em seu favor. “Já que a mulher desejava se inserir no mercado, que trabalhasse, ainda que meio período, mas que depois também cuidasse da casa”, diz.

Cabe lembrar que o serviço doméstico que as mulheres costumam executar “gratuitamente” é um dos fatores que ajudam a rebaixar os salários da economia como um todo, uma vez que torna mais barato os custos da mão-de-obra.

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Refúgio no silêncio

Maria Rita Moraes tem 33 anos, é casada e trabalha há 14 anos como telefonista em um banco em Bauru. “É um trabalho cansativo, pois muitas vezes me vejo obrigada a engolir reclamações que não competem às minhas funções. Certos dias, parece que estou vivendo uma TPM constante”, diz ela.

Quando está dominada pelo estresse, Maria Rita prefere ficar quieta no seu canto, para não ter de descontar no marido e nos filhos a fúria acumulada durante o expediente. “Não é justo levar os problemas do trabalho para casa”, pensa.

A “solução” adotada pela telefonista é bastante parecida à que a vendedora bauruense Daiane Alves Rodrigues, 18 anos, utiliza para superar o estresse. “Se estou no trabalho e vejo que estou perdendo a calma, fico quieta no meu canto até meu humor melhorar”, afirma.

Já quando está em casa e sente que vai ser dominada pelo estresse, ela prefere apelar para uma espécie de “terapia sonora”. “Fico quieta ouvindo música, e tento esquecer dos problemas do dia que passou”, diz ela.

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