Os moradores da Zona Sul de Bauru estão longe do sossego. Após a onda de furtos na região, que mobilizou a sociedade e as polícias Civil e Militar no final de julho, quem mora na região parece estar no alvo de assaltantes. Somente na noite de anteontem duas residências foram roubadas em menos de duas horas. Nas duas, o modo de agir dos criminosos foi praticamente idêntico. Eles renderam o morador no momento que ele entrava em casa, ameaçaram com arma de fogo e fugiram levando dinheiro, produtos eletrônicos e jóias. A Polícia Civil investiga o caso e a Polícia Militar investe em policiamento ostensivo na área.
O primeiro roubo foi registrado às 22h10 de segunda-feira. A vítima chegava em casa com seu carro na rua Carlos Del Plet, no Jardim América, e ao entrar na garagem foi surpreendida por dois homens armados com revólver. Eles roubaram três correntes com três pingentes, cinco pares de brincos, seis anéis com brilhante, todos objetos confeccionados em ouro, além de um relógio de pulso feminino banhado a ouro e um aparelho celular. Eles fugiram na seqüência.
Às 23h40, na rua Engenheiro Saint Martin, no Jardim Aeroporto, a poucas quadras do primeiro crime, o morador chegou com seu veículo e, ao entrar na garagem, foi abordado por uma dupla de assaltantes. Os criminosos ameaçaram a vítima com um revólver e fugiram levando R$ 80,00.
Na quinta-feira passada, um casal que reside no Jardim América foi vítima de um roubo nas mesmas circunstâncias. O morador chegou à sua casa pouco depois da 0h30. Ao estacionar o veículo na garagem, ele foi rendido por dois homens armados. A vítima foi levada para dentro de sua casa.
Ele e a esposa foram amarrados e trancados em um dos quartos da residência. A dupla roubou aparelhos eletrônicos, um talão de cheques, R$ 370,00 em dinheiro e aproximadamente R$ 2 mil em jóias. Os produtos foram colocados na Blazer da vítima, que os assaltantes utilizaram na fuga. O veículo foi recuperado horas depois, sem os objetos roubados.
Procurado pelo Jornal da Cidade, o delegado Marcelo Haddad, titular do 3.º Distrito Policial - unidade que abrange a Zona sul e centro de Bauru, informou que a polícia está trabalhando na identificação dos suspeitos. O delegado Abel Cortez, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), ressalta que a equipe que atua na apuração de roubos na unidade especializada já está trabalhando nos casos. “Todas as possibilidades e linhas de investigação estão sendo avaliadas. Ainda é prematuro afirmar que são as mesmas pessoas, mas também é uma das possibilidades trabalhadas”, ressalta.
No final de julho, o JC publicou reportagem sobre os problemas enfrentados pelos moradores e comerciantes da zona sul por conta dos furtos constantes na área. Para combater o problema, o 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPMI) desencadeou a Operação Preservação da Ordem Pública que, entre outras medidas, aumentou o efetivo da Base Comunitária de Segurança Sul.
De acordo com major Wellington Venezian, coordenador operacional do batalhão, na comparação entre julho e agosto deste ano, na área da Base Comunitária Sul houve um aumento de 5,47% na quantidade de registros de furtos. Mas entre os roubos, Venezian destaca que houve redução de 11,76%. Ele também observa que em toda a região não houve um homicídio neste período.
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Conseg
O advogado Olavo Pelegrina, presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro-Sul, opina que a segurança pública não pode ser avaliada de forma isolada. Para ele, é necessário observar a relação entre efetivo policial, patrulhamento e trabalho de inteligência. Sobre os roubos da Zona Sul, ele pondera que pode ser uma ação planejada. “A impressão é que se trata de uma quadrilha que age de forma especializada. Parece que há uma análise prévia. E esperamos uma atuação efetiva da inteligência da Polícia Civil e da Polícia Militar”, diz.
Uma das questões aborda por Pelegrina é uma possível relação entre os crimes a instalação do regime de prisão semi-aberto em Bauru. Dados da Secretaria de Segurança Pública mostram que desde o início do ano, quando o sistema passou a operar plenamente nas duas unidades que antes eram de regime fechado, os índices de criminalidade da cidade subiram.
Em dezembro de 2007, foram registrados 396 furtos e 90 roubos em Bauru. Em janeiro deste ano foram 523 furtos e 72 roubos. No mês seguinte, 470 furtos e 98 roubos. Em março, 603 furtos e 101 roubos. Em abril, 633 e 111, respectivamente. Maio teve o registro de 550 furtos e 104 roubos e no mês de junho foram 585 furtos e 99 roubos. Em 2007, nenhum mês teve mais do que 100 roubos registrados. E o maior índice de furtos foi registrado em agosto, quando ocorreram 581 crimes desse tipo na cidade.