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Entre sábios e espertos


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A obra “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, tem um capítulo intitulado “Algumas páginas da história”, onde menciona que a luta entre o direito e o fato dura desde a origem das sociedades. Afirma ele que amalgamar a idéia pura com a realidade humana, fazer penetrar pacificamente o direito no fato e o fato no direito, esse é o trabalho dos sábios. No entanto, um é o trabalho dos sábios, e o outro é o trabalho dos espertos. Em nosso tempo, os espertos deram a si próprios a qualificação de homens de Estado, embora o termo tenha se tornado uma gíria. Com muita propriedade o escritor argumenta que..."ninguém se esqueça, com efeito, de que onde só há esperteza necessariamente há pequenez. Dizer os espertos é o mesmo que dizer os medíocres. (...) Os espertos parecem não ouvir a objeção murmurada e continuam suas manobras". Voltemos aos nossos dias! O fato. Seria muito bom que cada candidato à Prefeitura de Bauru dissesse aos eleitores quais são as idéias e os projetos que têm para as terras do aeroclube, para a área do sambódromo, para o antigo pátio ferroviário, entre outros assuntos. Se um candidato vem a público e, sem medo das criticas, expõe seu ponto de vista dizendo que vai sentar à mesa para discutir a viabilidade de novos projetos e negociações para estas áreas, então merece meus sinceros aplausos. Aos “espertos” sobra a tentativa de ganhar dividendos políticos construindo uma crítica vazia e sem fundamentos. Espero que todos os candidatos exponham suas propostas para as área supramencionadas, brindando assim a população de Bauru com uma campanha de alto nível. O direito! Os bauruenses têm o direito a uma campanha centrada na apresentação de propostas e não aquela centrada na velha política de que tão bem se servem os espertalhões. O resto é “bobagem”! Nós não somos “bobos”!

O autor, Henrique Luiz Monteiro, é diretor da Faculdade de Ciëncias da Unesp - câmpus de Bauru

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