Durante o desfile de 7 de Setembro, a ser realizado no domingo no Sambódromo de Bauru, o Grito dos Excluídos clamará por Justiça Social pelo 13ª ano consecutivo. Com a expectativa de reunir cerca de 400 pessoas em Bauru, a manifestação aproveitará a comemoração da Independência do País para, a seu modo, discutir a soberania nacional.
“A intenção é essa, lutar contra a pobreza, a favor da justiça social, da partilha, da solidariedade. Não se trata só de globalizar a economia, como dizia João Paulo 2ª, mas de globalizar a solidariedade. É uma exigência do amor. Quem ama também se sente chamado a lutar pela justiça”, diz o padre Luiz Antônio Lopes Ricci, coordenador geral da pastoral da Diocese de Bauru.
De acordo com ele, o Grito dos Excluídos é um evento da igreja do Brasil, do setor pastoral social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com vários parceiros. “São movimentos populares, sociais, sindicatos, partidos. É plural. A gente sabe que a construção da sociedade mais justa, mais fraterna, não é obra da igreja, é da política, do Estado. Porém, a igreja pode contribuir na formação das consciências, na organização popular”, comenta.
Como cada cidade dá um formato próprio para o ato, em Bauru ele foi inserido no desfile de 7 de Setembro. “A prefeitura nos concedeu esse espaço. A concentração será às 8h30 no Sambódromo. Depois, vamos participar no meio do desfile, por volta das 10h. Todos são convidados. Fizemos contato com indígenas, sem-terra, o comitê municipal da mulher marginalizada, sindicatos”, cita Ricci.
Embora a intenção da manifestação seja contemplar a todos, por ser ano eleitoral, a igreja se revestiu de cuidados para o Grito dos Excluídos não ganhar conotação de campanha partidária. “Queremos chamar a atenção da sociedade para o sofrimento de tantas irmãs e irmãos excluídos. São os pobres, desempregados, pensionistas, aposentados. E mesmo aqueles que não são excluídos. Indiretamente são afetados porque a exclusão gera violência, favorece o tráfico de drogas e tantas outras coisas que nós sabemos”, comenta o coordenador de pastoral.
Ele ressalta tratar-se de um evento inter-religioso, acessível até para quem não tem religião porque a justiça social afeta a todos. O Grito dos Excluídos se propõe a superar um patriotismo passivo em vista de uma cidadania ativa e de participação, colaborando na construção de uma nova sociedade mais justa, solidária, plural e fraterna.“A igreja pode fazer isso em vista da construção de outro mundo possível, que é o imperativo do Fórum Social. Eu gosto muito da expressão do Paulo Freire, do inédito viável”, conclui.
• Serviço
A concentração do Grito dos Excluídos será às 8h30 no Sambódromo. O desfile está previsto para às 10h.