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Não se pode generalizar


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Na última quinta-feira, durante a madrugada mais quente do ano no Noroeste, a escultura comemorativa construída para o quarto ano do Festival do Sanduíche Bauru, o tradicional lanche que torna esta cidade reconhecida no resto do país, foi roubada e levada por universitários para uma república perto do Parque Vitória Régia. Não seria necessário explicitar o trecho anterior, pois decerto que a estas alturas a cidade toda saiba de cor os movimentos dos estudantes – endossados por diversos veículos de comunicação da região, chegando, inclusive, aos grandes jornais de circulação nacional.

Porém, é fato que uma parcela ínfima dessa mesma população que discute o quanto os universitários cometem delitos constantes contra a ordem pública sabem que na véspera do ocorrido um outro acontecimento – muito menos celebrado e discutido no cerne da sociedade bauruense – contemplou estudantes de arquitetura – também universitários da Unesp – com a premiação por um projeto de revitalização do bosque da comunidade do Jardim Dona Sarah.

Também é de desconhecimento da maioria da população que, na mesma noite em que quatro estudantes levavam para casa o Bauruzinho, pelo menos outros vinte participavam da gravação de um curta-metragem rodado, com apoio da Secretaria da Cultura, que certamente contribuirá como divulgação da produção cultural da cidade.

Pouco se diz também sobre os jornais comunitários (como o do Ferradura Mirim) produzidos por universitários, ou sobre outras ações em prol do bem-estar social de Bauru: sessão de cinema especial para crianças carentes, leituras de livros em escolas públicas, grafites e pinturas em bairros pobres, criação de suportes tecnológicos de baixo custo e alta acessibilidade, restauração de espaços públicos – além de tantos outros projetos e os diversos concursos vencidos por universitários que projetam o nome da cidade em todo país e até mesmo em âmbito internacional, como Paris ou Tóquio.

Isso tudo sem nem mencionar o quanto os mercados imobiliário e alimentício se beneficiam com o fluxo de universitários, o quanto o transporte lucra diariamente com o leva-e-traz dos estudantes, o quanto o comércio em geral – lojas de calçados, roupas e acessórios – sobrevivem, em parte, graças ao setor estudantil.

Há de se reconhecer que a condição dos universitários é inerente ao desenvolvimento prolífico desta cidade, assim como há de se reconhecer que já é passada a hora da convivência pacífica entre os habitantes naturais de Bauru e nós - que nos alojamos aqui e passamos a desfrutar dos benefícios e lidar com as precariedades infra-estruturais da mesma forma que os demais habitantes. Finalmente, há de se desgeneralizar para compreender que existem ações singulares e isoladas, e que os universitários não constituem uma massa homogênea que age e compactua de acordo com os mesmos interesses: muitos de nós integramos projetos que promovem o bem-estar dos que vivem nesta cidade, sejam universitários ou não.

Os autores, Isaac Pipano e Natalia Barrenha, são alunos de jornalismo da Unesp, câmpus de Bauru

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