Todo jipeiro é, antes de tudo, parte de um grupo unido de amigos de aventuras e um curtidor da natureza. Estas duas características trazem uma boa lição prática que podemos incluir em nossa cultura automobilística: estar preparado para o inesperado no meio do mato.
Na natureza, longe da tal de civilização (como é bom fugir dela de vez em quando!) devemos estar preparados para eventualidades, tanto para as planejadas (como um churrasco no meio do mato) como principalmente para as não planejadas como quebras ou acidentes. Desta forma, todo jipeiro que se preza leva consigo uma boa caixa de ferramentas, peças de reposição, cabos de reboque, lanternas, macacos e alavancas, prontos para o que vier, seja para seu uso próprio ou para ajudar um companheiro. O mais importante disso é que se está preparado para ser solidário, compartilhando seus equipamentos e mantimentos com os outros.
E na estrada, será que precisamos de tudo isso? Muito provavelmente não, pois temos acesso a postos de serviços com mecânicos, eletricistas e borracheiros, além de restaurantes e combustíveis. A vida pode parecer mais fácil para um estradeiro do que para um fora de estrada, só que quando surgem os imprevistos a coisa pode pegar. Um posto pode estar a mais de 5 km de distância de onde seu carro parou, o movimento da estrada é baixo e a noite está chegando. Pronto, criou-se uma situação bem parecida com a do nosso amigo jipeiro, exceto a lama e os mosquitos. Você abre o porta-malas e vê aquele tapete bonitão limpinho e mais nada dentro, então começa a dar desespero. Por que não trouxe ferramentas ou uma lanterna, pelo menos?
Lembre-se que caso não entenda de mecânica o suficiente para consertar seu próprio carro em uma emergência, tenha sempre um kit com o essencial para que outra pessoa que entenda possa efetivamente te ajudar. Já parei na estrada para socorrer pessoas com o carro quebrado e o cara não tinha uma simples chave de fenda consigo... Graças a Deus eu sempre levo comigo um bom jogo de ferramentas manuais básicas e algumas peças de reposição comuns, de forma que podem servir para mim e para os outros em caso de necessidade.
Recomendo que se tenha sempre em mãos um jogo básico de chaves de fenda (reta e Phillips, tamanhos pequeno e médio), alicates universal e de bico, jogo de chaves fixas ou combinadas em milímetros, pedaços de arame e de fios, um rolo de fita isolante, pelo menos. Com isso, podemos reparar uma infinidade de pequenos defeitos e reapertos, coisas simples que não necessitam de mecânicos ou assistência remota.
Além das ferramentas propriamente ditas, devemos ter conosco algumas peças de reposição mais básicas como fusíveis (veja sempre o modelo e capacidade usada por seu carro e tenha de reserva) e algumas lâmpadas, principalmente as de sinalização traseira como lanternas 5W e de pisca e freio, de 21W. Confirme se em seu carro são usadas lâmpadas monofilamento ou duplas. Um conselho sábio é sempre se atualizar com o posicionamento das áreas de emergência do seu carro. Por exemplo, tenho certeza que sabe onde fica o estepe, mas se nunca furou um pneu do seu carro, sabe mesmo como operar o macaco? E onde fica a chave de roda? Tem certeza de que eles estão lá onde pensa que estão, já conferiu? Conheço gente que na hora de trocar o pneu na estrada fica se lamentando, “tinha certeza de que estava aqui” e não estava!
Leia no manual do proprietário ou pergunte a alguém onde ficam as caixas de fusíveis (sim, muitos carros têm mais de uma, sabia?) e familiarize-se com elas, sabendo onde estão, como são abertas e como fazer para trocar um fusível. Na maioria dos problemas elétricos apresentados por um carro em boas condições de manutenção, uma simples troca de fusível queimado resolve, portanto podemos resolver o problema de forma simples e rápida, sem desgaste. Nada substitui uma boa manutenção preventiva e antes de sair em viagem, faça uma com seu mecânico de confiança e leve seu kit consigo. Você se sentirá mais tranqüilo, sabendo que tudo está em ordem e que em caso de emergências, estará preparado para ajudar a si mesmo e aos outros, não tão bem preparados quanto você. Um kit médico também pode ser útil para pequenos cortes e assepsia, mas é melhor chamar um resgate paramédico em caso de acidente maior. Nunca mexa no paciente ferido sem conhecimento, pois pode agravar sua condição.
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* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.