Como as novelas são líderes em audiência na TV e a TV, por sua vez, é o meio de comunicação mais popular dos últimos tempos, você não acha que os autores deveriam aproveitar para dar bons exemplos através de suas tramas, já que estamos vivendo em um mundo onde as pessoas não sabem mais qual o verdadeiro conceito de certo ou errado, de bem ou mal, de corrupto e honesto e etc.? Resolvi escrever este artigo quando vi recentemente, na novela das oito (que passa às nove horas), o prefeito de Triunfo, um rapaz íntegro, honesto que sempre fez caridade através de sua profissão de dentista, agora estar sendo enfocado como uma personagem frágil, quase um coitado, e ainda por cima, corno. Pior! Está sendo traído por seu melhor amigo.
Tal enfoque me fez lembrar de um deputado, também personagem de uma novela das oito, muito bem interpretado pelo ator Carlos Vereza. Ele era um caso raro de deputado honesto e idealista que sofreu a novela toda e ainda terminou muito mal, se não me engano assassinado.
Políticos à parte, esse mau exemplo também é dado através de outras personagens, como a Céu. Uma moça inescrupulosa, que sempre desrespeitou o pai e a irmã, e já está se dando bem financeiramente. Em contrapartida, sua irmã que sempre foi boa filha, boa irmã e trabalhadora ainda não teve nenhuma chance. Ela ficou sem família, é desprezada pelo namorado e mal tratada pela patroa. Na última novela das oito, Duas Caras, a vilã maquiavélica, Silvia, terminou bem casada em Paris e ainda levou o amante a tiracolo. E o protagonista, Marconi Ferraço, também um terrível vilão, teve um final bem feliz.
Tudo bem que na maioria das tramas o público é confortado com um final feliz, onde o bem vence o mal. No entanto, durante meses, até chegar aquele último capítulo, o mal impera sem pudor, nem piedade. Os bandidos estão sempre elegantes e perfumados e os mocinhos bonzinhos são os coitados. O que será que fica no subconsciente das pessoas? Meses e meses de maus exemplos ou um único dia de justiça?
Por que será que esses meios de comunicação insistem em mostrar que as pessoas corretas são “babacas” e as corrompidas são as bacanas? Eu até acredito que muitas vezes os autores assim o fazem por querer mostrar a triste realidade da vida. Mas, será que se todos começassem a dar bons exemplos, principalmente a mídia, ainda não haveria alguma esperança de um futuro melhor, com governantes honestos, uma justiça justa e cidadãos realmente civilizados?
Renata L.T.C.Matile - jornalista e professora de dança