Elas estão em todas as regiões da cidade. Tanto nos lados leste e oeste quanto ao norte e nem mesmo a bela zona sul escapa delas. As favelas fazem parte do cenário urbano da cidade. Algumas, formadas há décadas, como a comunidade do Jardim Nicéia, outras, ‘instaladas’ recentemente, como as do Jardim Manchester e Aimorés.
Diferentes das comunidades que se organizam nos grandes centros como São Paulo, as moradias das favelas de Bauru são nitidamente mais precárias. Com exceção de alguns lugares, onde os barracos são erguidos com tijolos ou blocos de concreto, a maior parte dos barracos onde geralmente vivem de quatro a cinco pessoas em Bauru é feita de madeira ou restos de construção.
Enquanto em São Paulo a maioria dos barracos é de alvenaria e as famílias criam novos andares para abrigar a família que cresce como o passar dos anos, em Bauru os barracos são feitos de madeira, material pouco resistente, e os cômodos crescem para os lados, na horizontal.
É comum nesses lugares encontrar moradores que construíram um novo quarto, um outro barraco no mesmo terreno para receber a família que cresceu. “A gente nunca sabe quando isso vai acontecer. O mundo está tão diferente, a filha pode aparecer a grávida ou o filho pode trazer a namorada para morar aqui devido à gravidez”, explica Antônio de Jesus Marcondes, que construiu um novo quarto ao lado do seu barraco no Jardim Europa para o filho, que agora mora com a namorada no local.
No Jardim Nicéia, uma das mais antigas comunidades de Bauru, existe um misto de moradias construídas de alvenaria e outras de madeira. Luiz Carlos Marcondes, que mora no local há 18 anos, conta que a casa está bem diferente agora.
“Quando cheguei aqui eram apenas 12 ou 15 barracos todos de madeira”, lembra. Aos poucos, Marcondes foi erguendo sua nova casa no mesmo local. Hoje, a residência tem três andares e cada um dos quatro filhos tem seu canto determinado na casa.
Silvana Aparecida Nonato, também moradora do Jardim Nicéia, conta que se mudou para o local há cerca de 20 anos. Hoje apenas a filha mais velha não vive com ela na mesma casa, mas reside também no Nicéia. Recentemente, há cerca de 1 ano e meio, Norato foi pega de surpresa com a notícia de que a namorada do filho estava grávida e que viria morar na sua casa. “No início, a gente se apertou um pouco, mas depois construímos um quarto para eles”, conta.
No início, ela e o marido viviam no barraco com apenas dois quartos, hoje foram construídos, além do quarto onde o filho vive com nora e o neto de quatro meses, mais dois cômodos, onde vivem os outros filhos. “Eles querem privacidade, por isso a gente foi construindo mais quartos no local”, explica Nonato.
Se a primeira impressão é realmente a que fica, uma visita pelas favelas de Bauru dá a nítida idéia que elas estão a cada dia crescendo mais. Mas um levantamento realizado pela Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), em parceria com alunos da Faculdade de Serviço Social de Bauru da Instituição Toledo de Ensino (ITE), no início deste ano atesta o contrário. O balanço preliminar da pesquisa aponta para queda no número de barracos, da população que vive nesses locais e até mesmo das favelas.
Em 2004, a Defesa Civil do município realizou um levantamento parecido, que indicou a existência de 23 favelas, onde 2.215 moradias foram classificadas como precárias, totalizando cerca de 10 mil moradores. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a média de moradores nas residências é de quatro pessoas, média que sobe para 4,5 em se tratando de favelas.
De acordo com a Sebes, o novo levantamento apontou que as favelas em Bauru começaram um processo inverso ao vivido na década anterior, quando o crescimento e o aparecimento de novas comunidades era visível. Hoje, segundo o levantamento, esse grupamento tem 1.695 barracos, 520 a menos do que o registrado no levantamento anterior.
Um dado que chama a atenção no novo levantamento é que algumas favelas que faziam parte do levantamento anterior não estão mais presentes. Comunidades como as do Jardim Olímpico e Parque Real, por integrar o processo de desfavelamento, não aparecem no documento entregue ao JC pela Sebes.