Bairros

Entulho é matéria-prima nas favelas

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 1 min

O luxo do lixo. Com certeza você ouviu por aí essa frase para conscientizar as pessoas sobre a necessidade de se reciclar o lixo ou de se aproveitar melhor as coisas antes de se desfazer delas. Mas no caso das favelas, principalmente em Bauru, o que não serve mais para construção é a principal matéria-prima dos barracos.

Tábuas, restos de tapumes, placas de publicidade, lonas e telhas de amianto estão entre os materiais utilizados para erguer novos barracos ou reformar os já existentes.

Como os moradores das favelas geralmente vivem do ofício da catar papelão pela rua, eles visitam diversas construções em busca do que para o dono da obra é apenas entulho. Outros favelas surgiram ao lado de grandes condomínios ainda em formação, onde a matéria-prima dos barracos sobra em abundância.

Com dois filhos, Élen Aparecida Dias, 22 anos, moradora da favela da Vila Zillo, conta que construiu sozinha o barraco onde vive com os dois filhos; o menor, Wander Dias Marçal, tem 3 meses.

O barraco simples, mas bem distribuído, conta com uma cozinha, uma sala, um quarto, além do banheiro. “Eu ergui isso daqui sozinha, fui atrás dos materiais nas construções, meu padastro me deu uma força, mas o grosso quem fez fui eu”, conta, orgulhosa.

Como construiu seu barraco no terreno onde mãe tem o seu, Élen conta que não teve problemas. Na maioria das favelas existem pessoas que controlam a distribuição dos terrenos e até mesmo para morar numa favela é preciso pagar para adquirir o barraco, que amanhã poderá ser derrubado pela Justiça numa possível reintegração de posse ou pelo aluguel do “imóvel”.

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