Nova York - Wall Street teve ontem o pior dia desde os ataques de 11 de setembro, contaminada por temores sobre a saúde do sistema financeiro norte-americano, após o Lehman Brothers pedir proteção contra falência e a seguradora AIG lutar para sobreviver.
O Standard & Poor’s 500 despencou 4,71 por cento, a 1.192 pontos, registrando a pior queda diária desde que os mercados reabriram após os ataques de 11 de setembro de 2001. O índice também atingiu o menor patamar de fechamento desde outubro de 2005.
O índice Dow Jones mergulhou de 4,42 por cento, a 10.917 pontos, no pior desempenho diário desde setembro de 2001. O Nasdaq perdeu 3,60 por cento, para 2.179 pontos.
A sessão de ontem sucedeu um dos finais de semana mais agonizantes da história dos mercados, com o colapso do Lehman Brothers e o Merrill Lynch se vendo forçado a aceitar sua compra pelo Bank of America . Em meio às preocupações com a procura do AIG por capital, o Wall Street Journal noticiou que o governo norte-americano pediu para que o Goldman Sachs e o JPMorgan Chase buscassem linhas de crédito de 70 a 75 bilhões de dólares em empréstimos para a seguradora.
As ações de instituições financeiras lideraram uma forte e ampla queda nos principais índices, à medida que investidores se preocupavam com o impacto do último choque da crise de crédito na economia e nas perspectivas de resultados.
“A crise continua”, afirmou Roberto Franceio, chefe de operações de ações da Apeei Capital. “Parece que algumas pessoas subestimaram o impacto do AIG e seus desdobramentos.”
Tesouro nega ajuda
O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, disse ontem que o povo americano pode confiar na solidez do sistema financeiro americano e que nunca considerou apropriado usar dinheiro dos contribuintes para salvar o banco de investimentos Lehman Brothers.
Paulson disse que não considera uma decisão fácil colocar em risco dinheiro dos americanos para salvar uma companhia privada. “Risco moral é algo que eu não considero fácil de assumir”, disse Paulson. Ele acrescentou que quando o governo intervem para salvar uma empresa privada, isso encoraja outras empresas a se envolverem em comportamento de risco.
“Nunca considerei que fosse apropriado colocar dinheiro do contribuinte na linha para resolver problemas do Lehman Brothers’’, afirmou o secretário.
Desde sexta-feira, Paulson participou de três dias de negociações no Federal Reserve de Nova York (uma das 12 divisões regionais do Fed, o BC americano), nas quais manteve a posição de não envolver recursos públicos para resolver a crise do Lehman.
Na manhã de ontem, o banco entrou com o pedido de proteção sob a legislação de falências e concordatas no Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York. O banco informou que nenhuma das corretoras subsidiárias e outras empresas ligadas ao grupo está no pedido e continuarão a operar. Segundo o banco, os clientes do banco e das subsidiárias podem continuar a operar ou efetuar outras ações em suas contas.
Mundo
O Banco Central Europeu (BCE) injetou ontem no mercado 30 bilhões de euros (US$ 42,6 bilhões) a uma taxa de juros mínima, chamada de marginal, de 4,3% e com um vencimento de um dia.
Devido às turbulências nos mercados financeiros, desde agosto de 2007, o BCE injetou liquidez adicional em euros e em dólares (neste último caso, em operações conjuntas com o Federal Reserve americano) para evitar escassez de moeda.
Na Europa, as principais Bolsas fecharam em queda acentuada. Londres perdeu 3,92%; Paris, 3,78%; Frankfurt, 2,74%; e Madri caiu 4,5%.
As Bolsas da Ásia e da Oceania fecharam em forte queda. Os mercados na Austrália, Cingapura e Taiwan caíram até 4%. O feriado em alguns países da região reduziu o volume de negócios.