Uma cidade do Interior de um grande estado de um grande país. Seu nome era Município. A população, em busca de mudanças, elegeu um administrador diferente. Esse cidadão tinha um discurso que rompia com o passado. Representava uma nova geração de políticos. Alguns dos ex-administradores haviam sido bons gestores do Município, sem dúvida. A cidade avançara no tempo e trazia orgulho a seus habitantes. Outros, embora tivessem discurso avançado, haviam rompido com pessoas que nele confiavam para atingir seu objetivo de figura maior do local. Estes últimos até se perpetuaram no papel, mas não foram o que se esperava.
O novo administrador prestigiou muito a saúde pública, juntamente com outros setores que necessitavam de investimentos prioritários. Teve o bom senso de não querer iniciar tudo de novo, priorizando o aperfeiçoamento e a expansão dos serviços de atenção à saúde necessários.
Conservou um Ambulatório de Especialidades Médicas, implantado no respeito constitucional que havia mudado o país. Curiosamente, esse centro que tão bem funcionava foi desativado por representantes do grande estado. E, mais curioso ainda, agora estão reativando-o, já tendo sido inclusive publicado licitação para isso. Talvez na visão do grande estado, ou de seu mandatário, é melhor destruir e depois fazer novamente para desfrutar de glórias.
Tornou mais resolutivo um centro de atendimento ao trabalhador trazendo um especialista do Município para geri-lo. E assim foi em tudo que encontrou de gestões anteriores. Aperfeiçoar o que funcionava. Nada foi destruído. Preocupou-se com a terceira idade e institucionalizou um programa de atendimento ao idoso. Com pessoal especializado na área, garantiu-se a qualidade dos serviços prestados. Nesse ninguém teve coragem de destruir.
Para contar com número suficiente de médicos e outros profissionais da saúde, garantiu-lhes salário compatível. Essa norma não foi continuada e o Município passou a sofrer com número inadequado desses mesmos profissionais, gerando filas e demora de atendimento. Mas, curiosamente também, os profissionais de saúde foram declarados culpados. Eles devem buscar justificativas e não o Município.
Descentralizou o atendimento de urgências, levando a bairros distantes a tranqüilidade de serviços próximos, sem depender de transporte muitas vezes difícil. Essas estruturas foram desativadas, para não dizer destruídas. E os que querem ser administradores falam em retomá-las, falam em reconstruí-las. Discurso de Bush para o Iraque.
Esse era uma vez não é um livro de histórias. Por isso é muito, mas muito mesmo, sintético. Como todo conto de fadas deve ser interpretado pessoalmente. E encaixar no perfil de cada um que com ele se identificar. Mas não pode ser mudado. A História ou a história deve ser respeitada.
O autor, Luiz Fernando Ribeiro, é médico