Detentos do Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru, descontentes com o atendimento de saúde dispensado pela unidade prisional, se reuniram no início da noite de ontem numa espécie de protesto e ameaçavam não sair para trabalhar nas empresas hoje nem desempenhar as atividades laborativas internas - agricultura, horta e jardim. Por telefone, eles disseram ao JC que o estopim foi a prisão de um dos detentos por ele ter reclamado do atendimento de saúde recebido. A unidade negou qualquer anormalidade.
O IPA, unidade prisional de regime semi-aberto, abriga cerca de 1.200 detentos, dos quais por volta de 300 trabalham externamente, em empresas da cidade. Os outros desempenham atividades internas, da agricultura à cozinha, passando pela limpeza. O detento em questão foi algemado e transferido para o Centro de Detenção Provisória (CDP) ontem, segundo os colegas, por reclamar dos funcionários do setor de enfermaria.
Com a transferência, ele perde o benefício de terminar de cumprir a pena no regime semi-aberto, voltando ao regime fechado. Usando orelhões existentes no IPA, os detentos telefonaram para o JC para dizer que estavam “parando tudo”. Afirmaram que, se a diretoria não atendessem as reivindicações, não entrariam para os dormitórios e não iriam sair para trabalhar hoje.
Entre as reivindicações, estavam: que o detento que reclamou e estava algemado continuasse no IPA; melhoria no atendimento de saúde e troca da diretoria da unidade prisional. Sem declinar seus nomes, três detentos falaram com a reportagem, em momentos diferentes. A principal reclamação era o atendimento de saúde. “Eles só dão paracetamol (remédio analgésico) para dor nas costas, para tumor, para tudo. E, se reclamar, eles ameaçam prender”, disse um deles.
Ao pedir para falar com a direção do IPA, o funcionário que atendeu a ligação, por volta das 20h30 de ontem, que disse se chamar Antônio Carlos da Silva, garantiu à reportagem que não havia mais ninguém na diretoria. E assegurou que não havia nenhum movimento dos presos. A Polícia Militar também não chegou ser acionada para ir à unidade, mas outros funcionários do IPA informaram que houve sim o “protesto” dos detentos por causa da transferência do colega para o CDP.
Porém, o “protesto” foi finalizado e todos os detentos entraram para os dormitórios, como é a regra da unidade. Sobre a ameaça de “greve”, afirmaram não saber se ela procede. De acordo com as fontes consultadas pelo JC, os presos estariam reclamando porque a atual diretoria teria regras rígidas. Um empresário que tem 10 detentos do IPA contratados confirmou que eles têm reclamando do atendimento de saúde e estão descontentes com a diretoria da unidade.