Polícia

Entidades dos policiais refutam informe da SSP

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Entidades representativas de policiais civis, que em Bauru estão em greve há 10 dias, contestaram o informe publicitário da Secretaria de Segurança Pública (SSP) veiculado ontem nos órgãos de imprensa do Estado. O texto informa que o salário médio de um delegado de polícia hoje supera os R$ 7 mil.

“É uma mentira tão grande, que não dá para engolir. A média é muito menor porque quando o delegado começa, ganha R$ 3.680,00 numa cidade com menos de 200 mil habitantes. Temos grande número de cidades assim. A média está muito abaixo”, diz José Leal, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo.

De acordo com ele, os delegados de quinta a terceira classe são os que mais sofrem, pois às vezes não têm direito ao quinquênio (adicional de 5% do salário a cada cinco anos). “Para receber a sexta parte, que é um sexto daquilo que a gente ganha a mais, é preciso já estar na segunda ou na primeira. A maioria está na terceira classe, que corresponde a dois mil delegados, de um universo de 3.200. Foi um anúncio para levar à população ao engano e rejeitar a greve”, afirma Leal.

Ainda segundo ele, os R$ 7 bilhões que o governo diz gastar com a folha de pagamento inclui toda a Secretaria de Segurança Pública. Engloba os policiais militares e a Polícia Técnico Científica. “Nós temos uma data base dia 1 de março, mas em momento nenhum querem falar em data base. Querem inventar essa história de reestruturação acabando com a quinta classe. Eles estão nos enganando desde 2001 com porque isso não vai levar a nada. E o resto? O que vamos fazer com os outros?”, questiona.

Leal explica que no ano passado o governo concedeu por volta de 20% de reajuste aos oficiais e delegados de polícia. Mas às outras carreiras, que formam a grande maioria, deu 3% a 4%. “Não admitiremos ameaças e a invasão de competência. A Constituição ainda está em vigor e tem de ser respeitada. A greve continua em Bauru, mas nós preferíamos que estivéssemos em outra situação”, conclui Edson Cardia, delegado sindical do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo. Suas palavras são reiteradas por Márcio Cunha, Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (Sipesp). Procurada, a SSP preferiu não manifestar-se.

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