São Paulo - Em ato de campanha ao lado da candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou lenha na disputa municipal ao acusar adversários da petista de serem oportunistas. Lula afirmou que Marta é “copiada” nestas eleições e acusou o DEM, do candidato à reeleição, prefeito Gilberto Kassab, de não ter lado.
“Eu assisto o programa eleitoral de São Paulo e vejo que depois que a Marta fala parece que os outros copiam o que ela falou e vão retratando todas as propostas da Marta e tratam como se fossem deles”, disse. “Na campanha presidencial (de 2006) esses mesmos que copiam todas as propostas eram aqueles que iam para a televisão para me achincalhar, me ofender, dizer que o governo não fazia nada (...) Nestas eleições até o pessoal do DEM está com a minha foto. De dia falam mal de mim, de noite distribuem santinhos com a minha cara. Eles não tem lado porque são oportunistas”, afirmou o presidente.
Lula também ironizou o discurso dos candidatos que tentam desvinculá-lo do PT. “Hoje até eles dizem: ‘ah o Lula tudo bem, mas o PT não sei das quantas’. Na verdade eles estão brincando com nossa inteligência”, disse.
Durante seu discurso na zona norte de São Paulo, o presidente tentou usar sua origem nordestina para ganhar votos para a candidata. “Falem para as pessoas, ajudem aquele ‘baianinho’ (em referência a ele mesmo, que é pernambucano) a eleger a Marta Suplicy”, disse.
A estratégia da petista de buscar votos entre a população nordestina que mora na capital paulista também ficou clara com a composição de seu palanque. Além de Lula, os governadores do Ceará, Cid Gomes (PSB), e do Sergipe, Marcelo Déda (PT), estiveram presentes.
Pela estimativa dos organizadores do evento, o comício de Marta, na zona norte da cidade, reuniu cerca de 10 mil pessoas. A PM não havia feito ainda estimativa de presentes.
Ninguém ataca Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se transformou em uma espécie de convidado “Vip” dos prefeituráveis em 2008, especialmente na cidade de São Paulo, segundo a análise do cientista político e conselheiro do Movimento Voto Consciente, Humberto Dantas. “No caso do governo dele, pelos altos índices de popularidade, o mínimo que você pode não fazer é não bater. Ninguém barra o Lula, hoje ele entra aonde ele quiser no Brasil, tem o cartão vip”, comenta.
Para o analista, o presidente tenta atingir o status de “divindade” na disputa entre os candidatos, inclusive os de oposição, pelo seu apoio. “Pode ser um orixá, isso vai depender das crenças. Ninguém quer ter ele fora de sua sala. (No entanto) Todo mundo quer, mas quem leva é a Marta.”
Na disputa eleitoral em São Paulo, não é só Marta quem mostra intimidade com Lula. O prefeito Gilberto Kassab e candidato do DEM e Geraldo Alckmin, do PSDB, evitam “bater” no presidente. Na quinta-feira, Kassab afirmou que mesmo partidos diferentes podem convergir e trabalhar em conjunto com o governo federal.” O diálogo com o presidente Lula é muito bom”, afirmou o prefeito.
Dantas lembra que Kassab preferiu, inclusive, polemizar com o presidente do DEM, Rodrigo Maia, a criticar Lula. “Divirjo dele”, disse Maia, para quem o partido deve combater “o deus da popularidade”, referindo-se a Lula.
Em seu programa de TV de segunda-feira, Alckmin atacou Marta, mas poupou o presidente. O Lula, tudo bem. O problema é o PT”, afirmou o apresentador do spot publicitário da campanha.