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Tema é o novo engajamento político

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Apesar de demonstrar certa apatia quanto à adesão a comportamentos em benefício do meio ambiente, os jovens deverão abraçar essa causa em um futuro não muito distante e transformá-la em uma nova maneira de se manifestar politicamente. Essa é a opinião do professor Pedro Celso Campos, coordenador do Grupo de Estudos de Jornalismo Ambiental da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Embora concorde que ainda falta encontrar meios para sensibilizar melhor esse setor da população, ele é enfático ao afirmar que a força da juventude é capaz de mudar a situação em que o planeta se encontra. “Isso acontecerá do mesmo modo que minha geração, nos anos 60, mudou o mundo, protestando contra a Guerra do Vietnã, contra a qualidade do ensino em Paris, criando o movimento hippie e plantando as bases do movimento ambientalista, que hoje é mais visível do que nunca”, enumera.

O individualismo que o “Dossiê Universo Jovem MTV” aponta, para Campos, é fruto do sistema de acumulação capitalista que construiu uma sociedade imediatista e pouco solidária. “Mesmo assim, não sou pessimista em relação aos jovens. Tenho a fé do (sociólogo e pensador francês) Edgard Morin no homem inconcluso, sempre em busca de coisas novas e criativas.”

Assim como Campos, Sandro Caramaschi, do departamento de psicologia da Unesp, acredita que a transformação passa pela dificuldade de qualquer ser humano em se livrar dos comportamentos culturalmente arraigados e que estão ligados ao bem-estar individual.

Por outro lado, o comportamento de grupo é capaz de exercer uma pressão muito forte na conduta dos indivíduos. Isso significa que quanto mais pessoas realizam determinada ação, maior a tendência de outras pessoas as imitarem. É o que explica, por exemplo, um ambiente sempre limpo continuar limpo ou um ambiente sujo ficar ainda mais sujo. “Na medida em que mais pessoas forem se conscientizando e descobrindo maneiras de colaborar, sem dúvida elas começarão a incorporar esses novos padrões de comportamento”, avalia Caramaschi.

Para que a mobilização ocorra, os dois professores são enfáticos: é preciso que se formem estruturas políticas e sociais, com forte atuação dos meios de comunicação na divulgação de causas ecológicas e medidas alternativas que possam ser viabilizadas. “O produto da mídia é a informação e isso é matéria elementar de persuasão. Agora nos resta saber como ela fará isso”, finaliza Campos.

Engajados

Cri-cri, mulher-apagão, eco-xiita, eco-chato. Esses são alguns dos adjetivos com que são comumente contemplados os jovens comprometidos com o meio ambiente. Por serem minoria, seu comportamento é visto como excêntrico e, para não criar atrito com as pessoas com quem convivem, acabam levando apelidos “numa boa”.

É o caso do universitário Danilo Cesar Paulino, 25 anos. Ele conta que já foi muito perseguido pelos colegas, mas diz ter aprendido a reagir de forma mais tranqüila. “Hoje eu não falo nada. Se um colega joga um papel no chão, pego e guardo até achar uma lixeira. Acho que é a partir de exemplos que as pessoas em volta vão começar a mudar, não adianta ficar dando lição de moral”, ensina.

Aos 19 anos, Ana Carolina do Amaral Silva já tem no currículo a fundação de um grupo de estudo sobre meio ambiente, que possui sete anos e 35 membros. Criada em uma família que valoriza a educação voltada para a sustentabilidade, a estudante de jornalismo diz ter adquirido, desde muito nova, o gosto pelo tema.

“Eu tinha 11 anos e já tentava mudar a opinião dos vizinhos e das pessoas com quem eu conversava na Internet”, lembra. Chamada de “apagão” pelas colegas de faculdade, por nunca deixar que lâmpadas fiquem acessas desnecessariamente, ela acredita que a crítica aos chamados eco-chatos têm diminuído.

“O que eles falavam há 10 anos se tornou uma realidade ameaçadora para o futuro da humanidade. Está todo mundo convencido de que é preciso mudar”, salienta Ana, que quer se especializar em jornalismo ambiental para colaborar com a transformação da sociedade.

Outra estudante que pretende utilizar seus conhecimentos para proteger o planeta é Camila Cavalcante Farias, 20 anos. Estagiária de uma ONG em Bauru, ela pretende organizar ações para que as pessoas passem a compreender a preservação do meio ambiente para além do simples plantio de árvores. “Mudei uma série de atitudes no meu dia-a-dia, passei a usar bicicleta para ir ao trabalho e uma sacola de pano para ir ao supermercado, mas quero fazer muito mais. As pessoas precisam tomar consciência de que é possível viver de maneira sustentável e acho que esse é o caminho”, conclui.

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