Política

PSDB continua sendo alvo em debate

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

O governo do Estado e o PSDB foram novamente o alvo da maioria dos candidatos a prefeito de Bauru, no debate realizado, ontem à noite, pela Rede Record. A apenas uma semana do primeiro turno da eleição municipal, o candidato Caio Coube (PSDB) permanece sendo aquele que recebe o maior volume de críticas, dirigidas aos tucanos. O curioso é que o tucano tem mantido a estratégia de responder às questões, mas sem fazer contra-ataque político aos adversários.

Ontem, na Record, não foi diferente. Com menor ou maior incidência, todas as questões mais ácidas ou tentativas de críticas foram endereçadas a Caio. O formato do debate evitou a troca de farpas entre os adversários na eleição. Mesmo no bloco em que puderam formalizar perguntas entre si, os candidatos tiveram de se ater ao tema proposto, o que delimitou a possibilidade de comparações entre assuntos que interessassem a cada um deles.

Ainda assim, nas oportunidades em que foi possível levantar indagações mais incisivas, o governo do Estado sempre apareceu como prato predileto. Algumas críticas foram sutis, como a afirmação de Clodoaldo Gazzetta (PV), no segundo bloco, quando, ao responder sobre saúde, disse que o Ambulatório de Especialidades (AME) a ser instalado pelo Estado vai atender à demanda regional, sem resolver o gargalo de Bauru na área.

Ainda no bloco em que os candidatos responderam sobre temas específicos, em perguntas formuladas pela produção da Record, Márcia Camargo (PSOL) atacou que o governador José Serra (PSDB) “quer municipalizar todas as escolas até 2010 e Bauru não tem condições de receber mais 50 escolas”.

No bloco seguinte, Márcia fez essa indagação a Caio e disse que o tucano vai ficar “em saia justa com o governador se não adotar o plano estadual de municipalização”. Caio respondeu: “Não iremos municipalizar o ensino. Bauru tem sua rede e o Estado, a dele, e vai ficar assim”.

Logo depois, Caio ouviu de Gazzetta que a situação dos policiais civis no Estado é ruim por causa dos baixos salários pagos pelo governo. O tucano prometeu ser porta-voz das reivindicações da categoria junto a lideranças do PSDB no governo do Estado e, no plano local, defendeu plano de parcerias com as polícias para melhorar a área de segurança e ações preventivas em educação, cultura e lazer.

Os candidatos foram convidados a responder perguntas sobre educação, saúde, infra-estrutura, segurança, emprego, transporte e outros temas. Com esse formato, as perguntas mais ácidas preparadas pelos candidatos ficaram na pasta, já que, no sorteio dos temas, cada um teve de se ater ao assunto apontado.

Ainda assim, Rodrigo Agostinho (PMDB) aproveitou o sorteio do tema “emprego” para alfinetar o governo do Estado, ao perguntar a Gazzetta sobre a limitação de aproveitamento do Aeroporto Moussa Tobias. “O aeroporto está abandonado e falta projeto para ele funcionar através do Daesp, que o gerencia pelo Estado. Qual seu projeto?”, lançou Agostinho ao candidato do PV.

Gazzetta concordou que o aeroporto está parado e ainda criticou a sub-utilização da Hidrovia Tietê-Paraná. Na réplica, Rodrigo reforçou sua estratégia de buscar o confronto político com ações tucanas e, com isso, tentar reduzir a liderança de Caio nas pesquisas. “O governo do Estado não tem projeto para o aeroporto. Queremos trabalhar para instalar o Terminal de Cargas e um distrito industrial anexo ao aeroporto”, emendou.

Rodrigo não desperdiçou nenhuma chance de continuar cutucando os tucanos. Ao responder sobre transporte em questão formulada por José Leme (PHS), o candidato do PMDB disse que quer discutir o valor pago pelo governo estadual para o transporte de alunos à prefeitura e a abertura de novas praças de pedágios no programa de concessões, já anunciada pelo governo Serra.

Rosa Izzo (PDT) também guardou uma crítica ao PSDB dizendo, no último bloco, que vai cobrar do Hospital Estadual que acabe com a fila por consultas de especialidades em Bauru. Para fechar o debate, Caio Coube ainda teve de ouvir José Leme insistir que ele quer privatizar áreas municipais.

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O padrão de cada candidato nos debates

• Márcia - Vincula todas as discussões à ótica socialista. Extremanente ideológica e franca-atiradora

• Caio Coube - É muito cauteloso nas observações, tenta ser propositivo e não critica nenhum adversário

• Rodrigo Agostinho - Tenta mostrar que a juventude e ter sido secretário de Tuga Angerami não são empecilhos

• Clodoaldo Gazzetta - Tenta mostrar que, após mais de 15 anos disputando eleições, está pronto para ser prefeito

• José Leme - Propõe grandes obras sem dizer de onde virá o dinheiro e diz que as pesquisas só ouvem os ricos

• Rosa Izzo - Em quase todos os raciocínios, atrela suas propostas aos governos de seu marido, Izzo Filho

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