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Pacientes de câncer terão abrigo em SP

Por Fábio Zambeli | Da APJ Especial para o JC
| Tempo de leitura: 3 min

Os pacientes do Interior do Estado que buscam tratamento do câncer nos principais hospitais públicos de São Paulo ganharão uma infra-estrutura de acolhimento que contempla desde salas de repouso pós-alta até uma Casa de Apoio, que abrigará os usuários cuja permanência na Capital se prolongue devido a sessões regulares de quimio e radioterapia. O novo modelo de suporte foi concebido pela equipe multidisciplinar do recém-inaugurado Instituto do Câncer e estará em pleno funcionamento a partir de 2009.

O projeto dos técnicos do governo estadual tem duas frentes: a primeira, já em vigor, tem como objetivo atenuar o desgaste dos doentes do Sistema Único de Saúde (SUS) que se submetem a extenuantes viagens para a Capital, oferecendo-lhes um aparato transitório de conforto após receberem alta hospitalar.

São seis salas de repouso destinadas a quem saiu da consulta ou do tratamento e não se sente bem para aguardar nas áreas públicas do instituto.

“Atendemos muitos pacientes que vêm de fora. Esses pacientes precisam aguardar a ambulância chegar. Muitas vezes, são de outras cidades. Então montamos essa sala como local seguro e confortável”, disse à Associação Paulista de Jornais (APJ) a gerente de enfermagem Elaine Aparecida da Silva, coordenadora do projeto no IC.

Denominado “Acolhimento Hospitalar Pós-Alta”, o sistema disponibiliza uma equipe composta por médicos, enfermeiros e nutricionistas. Nas salas de repouso, esses profissionais oferecem refeições e informações a respeito do tratamento contra o câncer.

“Funciona 12 horas por dia, das 7h às 19h, com toda a equipe de enfermagem e fazemos atendimento em caso de emergência, incluindo administrar medicações de uso contínuo”, diz Elaine.

Na segunda etapa, o programa desenvolvido pela Comissão de Humanização do hospital prevê uma parceria da Secretaria de Estado da Saúde com uma Organização Social (OS) a fim de manter um prédio que sirva de alojamento aos pacientes cuja estadia em solo paulistano se estenda em decorrência da terapia oncológica.

“Essa comissão está pensando a proposta de uma Casa de Apoio para os paciente de fora de São Paulo, que vêm aqui e têm que ficar por um período prolongado para fazer quimioterapia e radioterapia. Nesse caso, ficaria um paciente e um acompanhante”, afirma Eliana Ribas, coordenadora de humanização do Instituto do Câncer Octávio Frias de Oliveira, que funciona no centro da Capital.

“No médio caso tem o projeto de uma hospedaria. Seria uma outra casa, outro espaço. Teria um vínculo, uma parceria com o hospital. Ele estaria oferecendo psicologia, serviço social, nutrição”, acrescenta.

Segundo Eliana, como as sessões são regulares e duram, em média, 15 dias. “Se deslocar ou arcar com o custo da permanência às vezes até inviabiliza o tratamento”, afirma a especialista.

Estrutura

Inaugurado em maio deste ano, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo é fruto de uma parceria entre a Secretaria de Estado da Saúde e a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Quando estiver trabalhando em sua capacidade total, a instituição será o maior poderá oferecer cerca de 400 mil consultas, 5 mil procedimentos de radioterapia, 70 mil de quimioterapia, e 16 mil cirurgias por ano.

Para a coordenadora de humanização, o efeito das medidas de acolhimento no tratamento da doença é representativo e minimiza o sofrimento dos usuários.

“Nessa casa, o paciente vai ter várias atividades, dependendo do tempo. Vai poder fazer um curso, uma aula, dependendo das condições físicas. A idéia é que seja parecido com uma casa, mais próximo do que é o dia-a-dia dele. A vida do paciente muda muito com o tratamento da doença. Isso é muito estressante, além do sofrimento, você tem uma mudança na dinâmica da vida muito grande. Se você puder reproduzir um ambiente mais próximo da sua residência, tudo isso facilita.”

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