Uma parceria inédita entre a Polícia Militar (PM) de Bauru e o Instituto de Ensino Superior de Bauru (Iesb/Preve) deverá multiplicar o número de crianças atingidas pelo projeto Gorro Amarelo de educação no trânsito. A idéia é capacitar professores para que eles desenvolvam ações interdisciplinares visando a segurança das crianças nas ruas de Bauru. Isso multiplicaria a capacidade de formação do Gorro Amarelo.
“É um programa inovador em termos de educação de trânsito”, destaca o capitão João da Costa Duarte, comandante da 1.ª Companhia da PM de Bauru. A idéia é simples. Ao invés de um policial militar trabalhando com as dezenas crianças, vários professores poderiam ministrar o projeto Gorro Amarelo, desenvolvido pela PM desde 2004, passando regras e dicas de segurança para centenas de alunos.
O projeto piloto, desenvolvido pela professora Ana Rosa Jampaulo, já capacitou os formandos do curso de pedagogia da faculdade. Ela explica que a idéia de expandir o programa da PM surgiu após verificar a dificuldade dos professores em trabalhar assuntos interdisciplinares que atuem na formação cidadã das crianças.
Por isso, ela explica que procurou desenvolver a atividade que tivesse um impacto nos alunos da rede infantil e também nos adultos. O projeto foi criado lembrando que muitas crianças sofrem acidentes por não saberem se comportar em vias de tráfego e também porque muitos motoristas, como os professores, não seguem rigorosamente as leis de trânsito.
“E é nessa idade de formação e de aprendizagem definitiva que as crianças também cobram a postura dos pais. O retorno é muito grande”, observa Jampaulo.
Para o cabo Fernando Willian de Souza, instrutor do projeto Gorro Amarelo, a idéia de capacitar professores para que eles atuem como multiplicadores é positiva. “Os professores não ‘vestiam a camisa’ do projeto no restante do ano. Muitos encaram o período que o policial fica com as crianças como momento de descanso, ou para adiantar suas tarefas. A idéia agora é que eles dêem continuidade”, destaca.
Para capacitar os professores, o cabo conta que explicou as técnicas e as empregou com os seus “alunos” de pedagogia. “Usamos as mesmas atividades que desenvolvemos com as crianças, como teatro de fantoches, vídeos, exibição de transparências em retroprojetor”, destaca.
O projeto piloto capacitou 42 formandos em pedagogia. “Se um policial pode atingir 150, 300 crianças, esses professores, se atuarem com 30 alunos cada, poderão atingir milhares de crianças”, ressalta Willian. “E o objetivo é esse, atender mais alunos e se tornar uma educação permanente, com professores preocupados com o ensino de regras e segurança no trânsito”, pontua.