Turismo

Cidades históricas

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 4 min

As ruas estreitas pavimentadas com pedras irregulares (as solteironas), o casario colonial do século 18, a arte barroca das igrejas com seus altares folheados a ouro, os vestígios de uma época de riqueza e dos primeiros movimentos políticos de emancipação do Brasil tornam inesquecível a viagem às cidades históricas de Minas Gerais.

A incursão a Ouro Preto, Mariana, Tiradentes e São João del Rei, etapas da Estrada Real por onde, durante muitos anos, os portugueses colonialistas escoaram nossas riquezas para a Corte, em Lisboa, começa pela Capital, a sempre agradável Belo Horizonte.

Trata-se da primeira cidade projetada do País, com ruas e avenidas que formam um grande tabuleiro de xadrez. Belo Horizonte foi criada em 1897 para substituir Ouro Preto como Capital do Estado.

Uma capital moderna, charmosa, com seus 1.500 barzinhos, hotéis confortáveis e as oportunidades de compras na maior feira de artesanato do País - 60 mil pessoas numa manhã de domingo de sol - são os grandes segredo de Belô.

De lá, a viagem até Ouro Preto e suas vizinhas leva um pouco mais de uma. A antiga Vila Rica foi Capital de Minas e uma das primeiras cidades a receber o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. Nela e em Congonhas, Sabará, Tiradentes, São João Del Rei, o visitante fará um roteiro por ricos exemplares da arquitetura colonial e barroca do século 17.

Veja como Carlos Drummond de Andrade descreveu a “vila” mineira de Congonhas: “Sobre o vale profundo, onde flui o rio Maranhão, sobre os campos de Congonhas, sobre a fita da estrada de ferro, na paz das minas exauridas, conversam entre si os profetas”. Um recanto tranqüilo, fundado em 1734 e que tem um belo casario colonial.

A 12 km de Tiradentes, pela BR-265, o visitante chega à cidade que foi palco da Guerra dos Emboabas, disputada pela exploração das riquezas locais entre paulistas e forasteiros, principalmente portugueses. Assim como suas vizinhas, conserva um importante patrimônio histórico, incluindo igrejas lindíssimas construídas no século 18.

Bandeirantes

O Guia de Ecoturismo Estrada Real assim detalha a terra onde nasceu o grande inconfidente: “Às margens do rio das Mortes e nas encostas da Serra de São José, nasceu o Arraial da Ponta do Morro de Santo Antônio, fundado em 1702 pelos bandeirantes João Siqueira Afonso e Antonio Bueno”.

A cidade é toda emoldurada pela Serra de São José, que serve de pano de fundo para seu conjunto arquitetônico. As estruturas de quartzito e os paredões de rocha chegam a ultrapassar os 100 metros e abrigam espécies animais e vegetais, além de nascentes, quedas d’ água e uma rica flora que conta com raras orquídeas e bromélias.

Tiradentes é sossegada e charmosa e preserva sua rica arquitetura colonial, estampada em casarões e igrejas, onde predominam obras barrocas. Quem caminha por suas ruas estreitas e becos tem uma visão viva da história do Brasil Colônia.

Já Mariana é o berço da religiosidade mineira. Nasceu do arraial do Ribeirão do Carmo, fundado em 1703, próximo ao curso de água onde o bandeirante João Lopes de Lima descobriu o ouro na região.

Depois da Guerra dos Emboabas, a Coroa Portuguesa criou a capitania das Minas e passou a controlar a exploração das lavras. Em 1711 foi elevado à vila, passou a ser a residência do governador e em 1745 ganhou o nome em homenagem à rainha Maria Ana da Áustria, mulher de D. João V, de Portugal. Fica a 108 km de Belo Horizonte e é uma cidade romântica, com igrejas que merecem uma visita sem pressa.

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A cozinha mineira

“A cozinha mineira seduz principalmente pelos aromas. E eles nunca saem da memória de quem já sentiu, passando displicentemente pelas ruas de alguma cidade interiorana, a cálida presença no olfato de um lombinho crepitando no forno, de um feijãozinho imerso em temperos, do torresmo saltando em pururuca numa velha travessa de ferro.

“Nascida em meio à rica exploração do ouro, diamantes e outras pedras essenciais de seu solo, a comida mineira tinha em seu início o contraste da pobreza, existindo basicamente em função de ingredientes muito simples, como o milho – que dava a broa e o indispensável angu sem sal, como ocorre até hoje –, o feijão, a farinha de mandioca, que se juntava a ele para o clássico tutu, a couve onipresente, o arroz avermelhado pelo urucum, a galinha e o porco, do qual tudo se aproveitava e se aproveita”, relata Magno Vilela em “Guia Fiat –Minas Gerais”.

Aos poucos, já no início do século 19, novos ingredientes e receitas foram incorporadas à culinária básica, deixando a gastronomia mineira ainda mais especial. Estando em Minas, não deixe de provar seu famoso feijão-tropeiro, o frango ao molho pardo, o frango com ora pro nóbis (erva só encontrada naquele Estado) ou com quiabo, sempre acompanhados de torresmo, couve e angu. E as sobremesas, que passam pelos doces caseiros, casados com uma fatia de queijo branco. Êta trem bão!

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