Deficiente visual há 28 anos, o aposentado e delegado do Conselho dos Portadores de Deficiência Reinaldo Rodrigues Santos, 55 anos, conta que tem esperança de ter mais independência em Bauru. Ele revela que mesmo com treinamento para circular de bengala, ainda precisa de auxílio para andar pela cidade porque as calçadas estão cheias de obstáculos. “Às vezes, tenho que ir pelas ruas porque as calçadas estão cheias de barracas, bancos, mesas, que atrapalham”, revela.
Outra dificuldade são os semáforos. Ele lembra que não existem avisos sonoros nestes equipamentos em Bauru. Santos avalia que muitos bauruenses também não colaboram. “Em Jaú, se você sinaliza com um apito, os veículo param para você atravessar a rua”, conta. Para ele, a determinação do TJ é positiva. “Bauru está um caos para os deficientes e essa decisão veio mais do que na hora”, diz.
No final de agosto, estudantes do primeiro ano do curso de arquitetura da Universidade Estadual Paulista (Unesp) participaram de uma aula prática na Praça Rui Barbosa sobre as dificuldades de acesso de um portador de deficiência. Os universitários subiram rampas com cadeiras de rodas e andaram com olhos vendados. A constatação dos alunos foi a mesma dos últimos dez anos – já que a encenação é repetida desde 1998. É muito difícil para um deficiente locomover-se no Centro de Bauru.
Para Cristiane Bernardes Vieira, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, a iniciativa da Promotoria e a decisão do TJ são positivas. “Ainda falta muita coisa na cidade. Primeiro, acredito que deve se conscientizar sobre a necessidade da adequação. Ela não é somente para os deficientes, mas também para idosos, pessoas que têm dificuldade no acesso” avalia. Ela também destaca que uma dificuldade maior que a acessibilidade é a barreira na comunicação. “Ela exclui um indivíduo”, destaca.
Ela destaca que a população precisa defender a adequação. “Hoje, você não possui deficiência. Mas ninguém sabe o dia de amanhã. Ao tornar Bauru uma cidade assessível, todo mundo ganha”, resssalta Vieira.